Life

The Mind is the biggest enemy.

3 Janeiro, 2021

Começamos 2021 de uma maneira diferente. Colocamos de parte as resoluções para este ano e os pontos altos ou extremamente baixos do ano passado e focamo-nos naquilo que poderá vir a ser a grande luta de todos nós. A nossa mente. Ou pelo menos a minha. E o blog é meu e eu incluo nele aquilo que bem me apetece. Acabámos o ano com uma série de referencias á letra G, e todos sabemos o porquê, e apesar de ter mais uma quantidade de textos que queria publicar continuando essa saga, achei que este novo ano merecia um começo onde essa onda negativa não fizesse parte da minha vida. No ultimo dia do ano, alguém me disse que levava muito a sério o simbolismo de um novo ano, vida nova, e eu acabei por pensar mais nisto do que talvez devia. Meti então na minha cabeça que deixaria para trás, no ano de 2020, que bem visto, foi um ano do caraças (no bom sentido) para mim, todas as coisas/pessoas que me fazem mal. E deixei. Durante os dois primeiros dias.

Sou uma pessoa que tem o infortúnio de saber o que é viver com ansiedade extrema, e tal como já vos falei bastantes vezes, não se trata apenas de hiperventilar quando ouvimos um não ou as coisas correm de maneira diferente àquela que esperávamos. É lidar constantemente com traições da nossa mente, e quando vos falo em constantemente, falo talvez em situações de 5 em 5 minutos. É ter-mos de nos relembrar de todas as coisas boas, de todo o nosso valor e o quanto as pessoas gostam de nós a cada hora que possa, pois de um momento para o outro tudo muda na mente de alguém como eu. Tal como vos referi, nos primeiros dois dias do ano, a minha convicção em esquecer todas as coisas negativas de 2020, estava a 100%. Até á noite de hoje, em que os meus sonhos me levaram para sítios esquisitos do passado e me fizeram acordar com o coração a palpitar no peito. Levantei-me, ainda com a cabeça envolta em pensamentos, tomei o meu café da manhã sem dizer uma palavra e voltei para o quarto onde me sentei na cama durante uns 20 minutos. Pensei em muitas coisas como é costume, e com a ansiedade já a preparar-se para me atacar forte e feio como já não faz á um ano e meio, levantei-me, liguei o computador, escolhi uma playlist já preparada para este efeito e comecei a escrever este texto. Escrever aqui sempre me fez bem, sempre me soube bem, e de certa maneira sempre me ajudou. Gosto de escrever o que vai cá dentro quando a mente está demasiado confusa para proferir as palavras em voz alta. E ela está muitas vezes confusa.

Há quem me pergunte muitas vezes, se eu tenho razões para estar assim. Muitas das vezes não tenho, as razões, as justificações e os porquês. No entanto é este o meu conflito diário. Sim, diário. Posso acordar a pensar que hoje é o dia e que vai correr tudo bem e deitar-me com a maior sensação de inutilidade do Mundo, com a maior tristeza, com a maior sensação de perda, com vontade de por pontos finais. Sim, os pontos finais são uma constante na minha cabeça. Não sinto que alguma vez o fizesse, mas tal como já vos referi muitas vezes, penso bastante nas maneiras de o fazer. Este texto serve para vos explicar, mostrar ou até mesmo chegar a alguém que sinta o mesmo, que muita gente com uma vida minimamente estável ou aparentemente feliz, pode sofrer com pensamentos negativos, e que isso não a torna mais fraca que ninguém. A nossa mente é o nosso maior inimigo e é com ele que temos de lidar e lutar. É como uma luta interior que nem sempre se reflete no exterior. Mas não somos menos que ninguém, não somos inferiores. Apenas precisamos de um momento de vez em quando e parar para ganhar forças para lutar mais um bocadinho.

Tenho um amigo que me disse que este ano que passou não foi realmente bom para mim. Tenho de concordar porque me levou a ter muitos momentos bastante negativos, mas por outro lado, talvez teria sido o universo a por tudo no sitio que deveria e a minha mente negativa e ansiosa é que não o queria ver. Vi tudo, e por bastante tempo, o copo meio vazio, sem refletir sobre as coisas boas que estavam a acontecer todos os dias. Foquei-me tanto nas pessoas que saiam da minha vida porque queriam, que nem reparei nas que entravam nela e nas que fizeram esforços para ficar. Foquei-me tanto nos pequenos pormenores negativos que nem me dei conta da quantidade de momentos felizes que criei por conta própria. Quer dizer, eu saltei literalmente de um avião! E se a minha mente não me tivesse tramado, acho que tinha aproveitado mais a euforia de o ter feito.

Agora, o ano mudou, mas a mente continua a mesma. E apesar de o meu foco principal é lembrar-me todos os dias das coisas maravilhosas que ganhei coragem para fazer e para dizer que sim, não me posso esquecer que a minha mente me pode atrapalhar os planos a qualquer instante, porque ela é mesmo assim. Sofrer de ansiedade como eu, é mesmo isso. Esforço e batalhas para estar psicologicamente em paz.

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