Life

#Suckatlife – O Amor

10 Fevereiro, 2021

Cresci, ao longo da minha vida, envolta na história de amor dos meus pais. Uma história até bonita, mesmo com todos os trambolhões que a vida lhes proporcionou. Logo, obviamente, amadureci a acreditar que o amor era uma coisa séria e que merecia todo o respeito que alguém pode dedicar humanamente dedicar a algo. Um compromisso, uma promessa, e sim, com um pouquinho de histórias “felizes para sempre” à mistura. Sempre achei que me aconteceria o mesmo, não fosse a história deles tão fluida e livre, que quase nos leva a acreditar que é assim para toda a gente. Costumava ver os tão aclamados e tradicionais filmes na televisão ou no cinema, onde o amor entre os protagonistas era tão sentido e bem expressado, que me fazia lembrar os meus pais. Quase como se eles fossem os dois protagonistas daquela cena e tivessem de combater um Mundo inteiro para ficarem juntos. Um dos maiores receios do meu Pai era exatamente o de falhar para com a minha mãe, de não a fazer feliz, de não conseguir oferecer-lhe o Mundo que lhe prometera. Disse-me isto mais vezes do que as que muita gente sabe, nas noites em que eu vinha tarde da escola e ela ainda estava á minha espera antes de ir dormir. Por esta altura da minha vida, nos meus 17/18 anos, ainda acreditava que o amor deles era uma coisa especial, mas comum, tal como já vos mencionei, que era destinado a todos.

Bom, não será surpresa para ninguém quando vos digo que no meu caso, não foi. Acreditava piamente que um dia alguém iria querer ficar ao meu lado para toda a eternidade, ajoelhar-se e pedir-me a mão em casamento, com a mesma promessa que o meu Pai quis manter á minha Mãe, da criação de uma família, um lar, uma história bonita digna de imprimir em livros de contos de fadas. Os meus pais casaram em 1991, na altura cada um deles com 25 anos, e apesar de não ter sido o casamento mais luxuoso que se possa alguma vez ter visto, foi um casamento feliz, e quem tiver o prazer de ver as fotos onde eles trocam olhares discretamente nesse dia, pode comprovar isso mesmo.  Acreditei que comigo aconteceria o mesmo, e por esta altura da minha vida, seria uma Mulher realizada a esse nível. Sonhei muitas vezes, enquanto miúda e adolescente, com o casamento, o vestido, os filhos, a casa e as memórias que iria criar. Surpresa das surpresas! Nada disso aconteceu, e dou por mim, agora com 29 anos, a viver ainda na casa dos meus pais, sem qualquer objetivo futuro, maioritariamente sozinha, com um coração vazio e a dormir todas as noites aconchegada apenas ao meu cão, que ainda se mantém por cá.  Suponho que deixei de acreditar nessa parte bonita do amor por outra pessoa, talvez porque ninguém gostasse o suficiente para ficar ou porque eu simplesmente não sou boa a amar. Tenho pensado muito nisso, e cada vez estou mais inclinada para os dois fatores em conjunto. Analisando ao pormenor, sou uma pessoa que dá logo tudo o que tem a quem não faz tenções de permanecer, o que nem sempre é bom. No meu caso, quase nunca o é. Não resulta. Desisti então de procurar. Sinto-me ligeiramente cansada desta coisa dos encontros “modernos”, onde tudo é analisado ao pormenor via redes sociais e onde os primeiros encontros são apenas videochamada de má qualidade e as cartas de amor deram lugar a mensagens telefónicas que não contêm mais do que 5 palavras, sendo cada uma delas abreviada. Definitivamente não sou pessoa de planos curtos, dos beijos sem compromisso e muito menos das aventuras sexuais com que não conheço. Se é para isso, deixem-me informar-vos que passo bem com uma relação comigo mesma. Pelo menos de mim não posso fugir, nem abandonar o barco com uma simples mensagem encriptada para parecer bem. Talvez o amor não seja para mim, porque não tenho paciência para o “amor” que a geração de agora pretende. Tal como uma melodia clássica de Franz Joseph Haydn, o amor que eu procuro, deve ser complexo, intenso e com toda uma orquestra a trabalhar. E por orquestra a trabalhar, não me refiro aos affairs de qualquer uma das partes. Refiro-me sim, á sintonia de cada membro do casal. Aquela sintonia, que os meus pais faziam questão de encontrar, mesmo quando um era Rock&Roll e o outro completamente Kizomba. Não sei se nas minhas últimas relações isso chegou a acontecer por qualquer uma das partes, mas também pouco ou nada importa por agora. Já não vejo o amor como uma promessa inquebrável, como a melhor escolha da vida de alguém ou como a felicidade eterna. Ao contrário da história de amor dos meus pais, que apenas terminou pelo falecimento inesperado do meu pai, as minhas aventuras amorosas levaram-me a crer que isto não é para toda a gente. E não faz mal. Até porque ficar uma vida inteira á espera que apareça um príncipe encantado que me salve não sei bem de quê, mas ter medo de que esse mesmo príncipe seja como todos os outros até agora, um autêntico demónio, é deveras exaustivo. Claro, sendo eu uma criatura de 29 anos físicos, mas de 80 anos mentais, não me vou dar ao luxo de ficar á espera um amor que possivelmente não vai chegar. E sabem porquê? Sendo eu tão má neste departamento, provavelmente fujo a 7 pés antes de ele sequer chegar a mim. Ou então talvez se deva por eu saber o que procuro e não dar espaço a mais nada. Se há tema confuso nesta vida, garanto-vos, o amor o maior deles todos.

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