Life

#Suckatlife – A escrita

22 Fevereiro, 2021

Começar a escrever as palavras de um livro, de um texto, de um post num blog é por vezes tão difícil como as palavras que queremos dizer exatamente naquele momento, àquela determinada hora. Simplesmente, somos invadidos por milhares de opções mas nenhuma nos parece propriamente a mais adequada, a mais acertada para a ocasião que costuma necessitar de uma resposta á altura. É uma das razões pelas quais não faço vídeos de maquilhagem para o Youtube. O terror de querer começar com a frase perfeita, aquela que acaba por nos definir dali para a frente, é quase tão avassalador como escolher um pretendente para casar no ano de 1813. A pressão é demasiado grande, e se por um lado parece tão simples dizer um “Olá” a alguém ou para alguém indiretamente através de uma camara de vídeo, por outro lado parece aterrador.

O blog, este de onde vos escrevo, tem já 9 anos feitos neste ultimo Outubro. Apareceu quando o meu começo enquanto lojista P&C, e começou com reviews de artigos e produtos que tinha agora acesso. Nem sempre os fazia, e na realidade, as pausas entre cada publicação eram significativamente grandes para alguém que pretende chegar a um lado com isto. Mais tarde, passou a ser um blog sobre os meus gostos, o meu dia-a-dia, onde por vezes apenas escrevia duas palavras acompanhadas de uma fotografia mal tirada. Após esta fase de “alguém vai querer saber qual o meu almoço no dia 10 de Agosto de 2012”, o blog passou a ser direcionado a moda e a looks. Lembro-me de fazer montagens de várias imagens de peças para adaptar a uma trend que estivesse em voga naquele momento, como se o que eu fosse alguém para influenciar alguém. Passei a incluir lojas, preços e tendências. Isto levou-me a pesquisar todas as lojas on-line que conseguia e a perder mais tempo do que aquele que despendia com isto. O resultado não era bom. Nunca foi. Passado mais algum tempo e o blog voltou a mudar o seu objetivo. Comigo farta de tanta futilidade por página, passei a escrever apenas aquilo que me vinha á cabeça e ao coração, e expunha sentimentos por escrito em modo virtual. Aqui começaram a surgir muitas reclamações para com a própria vida, para com as pessoas em geral e pouco mais, até aos dias de hoje.

Durante estes 9 anos de blog e da mudança constante do mesmo, tanto a nível de conteúdo como a nível de aparência, houve algo que se manteve sempre na mesma. Sim, falemos de erros ortográficos. Dos mesmo graves, aqueles que dão murros no estomago a todos os meus professores de Língua Portuguesa e que dão vontade ao próprio José Saramago de nunca ter existido. Suponho que qualquer pessoa que crie um blog, saiba pelo menos criar frases com nexo e não cometer erros como os meus, mas não, eis que existe o meu, onde a quantidade desses mesmos erros é tão grande, que poderíamos considerar o mesmo como uma nova forma de arte. Todos vocês já me corrigiram um erro ou dois, quantidades de pessoas já me chamaram a atenção para a construção de frases que faço e nem sei quantas vezes tive de reler um texto inteiro para me certificar que estava corretamente bem escrito, e ainda assim dar-me conta de tamanhos erros semanas mais tarde. É um martírio. E por esta altura, os vossos olhos ao ler tudo isto, onde já deram conta de mais erros obviamente, levam a mensagem ao vosso cérebro com a pergunta: ” porque raio escreves tu então?”. Não faço ideia. Porque gosto, porque me sabe bem. Pelo menos até me dar conta das barbaridades ortográficas que escrevo, nela altura sinto-me só estupida.

A minha má escrita não se fica apenas pelo blog. Não senhor! Nem teria piada guardar todas as minhas calinadas na Língua Portuguesa para um espaço só. Por norma todas as minhas redes socias sofrem do mesmo mal. Os emails profissionais, por vezes também. Escrever em papel como tanto gosto de fazer, é o cúmulo da desgraça ortográfica, por sejamos sinceros, não há corretores automáticos nem sugestões de palavras pré-escritas. Talvez por essa razão os meus cadernos secretos, aqueles onde escrevo tudo aquilo que não é suposto mais ninguém ler, serem secretos também por essa razão. Ainda para mais porque são maior parte das vezes escritos comigo já deitada em modo “vamos contar carneirinhos”, com um olho fechado e outro aberto e metade do cérebro já desligado.

No entanto, e apesar de todos os erros e pontapés bem fortes no Português, continuo a escrever, porque escrever faz-me bem e deixa-me feliz. Mesmo sem a aptidão nata de um Luís de Camões, ou a certeza de um dicionário, aquilo que eu escrevo é sentido. É parvo e com erros, mas sentido. É a minha poesia sem rimar, o meu testamento sem ser oficializado, o meu espaço sem ser correto.

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