Life

Racismo com autorização.

20 Fevereiro, 2020

A história do Brexit já não é novidade para ninguém. Já todos sabemos (sabemos mesmo?) as condições, o que muda, o fica igual e etc. Já lemos tantas noticias sobre isso como sobre o Coronavirus. Já não se pode com tanto acordos, com tantas regras, com tantos vai não vai. O Brexit aconteceu e não há grande porra que se possa fazer sobre isso.

Mas agora com toda a discriminação que se vê, ou se nota, por parte dos Conservadores e dos apoiantes desse mesmo lado, eu começo, não só a ter medo pelo meu irmão, mas também a pensar no assunto assim meio abstractamente, acabando por criar uma associação a uma das figuras mais “racistas” de toda a nossa história.

Reparem bem, Brexit à parte, temos o Reino Unido a querer ser um País independente, de maneira a conversar a economia, os postos de trabalho e a vida em geral aos seus habitantes de nacionalidade, evitando que os de fora, ocupem o lugar que é deles, tudo com a influencia e apoio do Boris. Mais coisa menos coisa. Um bocadinho mais ao lado, temos os Estados Unidos da América, com o Trump a dirigir a coisa, como se mandasse naquilo tudo (ora bolas, e não é que manda mesmo), a criar muros para fechar fronteiras com o México, para conservar a economia, os postos de trabalho e a vida em geral dos seus habitantes de nacionalidade, etc, etc (onde é que eu já li/ouvi isto…). Não tarda,a Rússia vai e lembrasse de fazer o mesmo ou algo do género, e a seguir a China ou o Japão ou até Portugal que tem por exemplo mais médicos estrangeiros a trabalhar por cá do que propriamente Portugueses. Se pensarem um bocadinho nisto, não estamos a ser todos um bocadinho Hitlers desta geração? Certo, que não andamos a matar ninguém, nem a agrupar pessoas em campos de concentração só porque sim (pelo menos que eu saiba), mas no fundo, estamos a querer dividir por igualdade de País ou “raça”. Não é seguir um bocadinho as directrizes do outro do bigode parvo?

Eu percebo, até que percebo a coisa de “estamos a dar mais trabalho aos outros do que aos nossos, estamos a dar mais direitos aos outros do que aos nossos”, mas não é assim que funciona? Ou seja, vejamos o caso de um enfermeiro Português em Portugal, onde o nível de evolução é quase nulo e a nível de salários e condições nem vamos mencionar para não causar mais nenhuma greve repentina, esse mesmo enfermeiro vai ter, outro tipo de condições noutro País e todos sabemos disto. Ou seja, mudar para outro País para evoluir, para receber mais, para ter mais consideração no local de trabalho, o que seja, é o prato do dia, tal como nós temos pessoas que vêm para Portugal á procura do mesmo, é um ciclo e a meu ver não havia mal nenhum nisso. Acreditem, senhores governantes que não têm mais nada que fazer se não pensar nas economias disto e daquilo, maior parte de nós nem preferia sair do nosso País à procura de condições melhores noutro lado e deixar tudo para trás, e não, não é por o lugar que podia ser nosso estar a ser ocupado por um estrangeiro, mas sim porque simplesmente não nos dão condições para aquilo que realmente queremos. Mas lá está, em vez de criticarmos o governo por isso, criticamos o coitado que veio à procura de uma vida melhor por cá. Se isto também não é considerado racismo, então acho que estamos todos a viver num mundo estranho onde o racismo é só criticar alguém de cor.

Esta história de fecharmos as nossas portas ao resto do Mundo porque não são nossos vai mesmo um bocadinho contra a nossa natureza de sobrevivência e eu não sei concordo muito com isto. Aliás não concordo com isto, Ponto. E não é só por ter um irmão no Reino Unido que pode vir a sofrer represálias de racismo ou até mesmo de trabalho por toda esta situação, até porque se não se deram conta ainda de que isso já está a acontecer então andam mesmo a passar os olhos só pelas imagens dos jornais, é mesmo porque, se não formos tão egoístas chega para todos. E não é preciso todo este aparato e alarido com muros e expulsar a malta de fora. Não é assim que deveria funcionar.

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