Life

“Quem quer casar com o meu filho?”. E outras jóias da televisão Portuguesa.

11 Março, 2019

Ah a nossa televisão! Ainda me lembro de ser pequenina (coisa aí metro e dez de altura), e ver as novelas com a mãe todas as noites, correr a passos largos como se a cama estivesse a arder aos sábados de manhã para apanhar aqueles episódios infantis que ainda ensinavam qualquer coisinha à malta mais nova e de tentar assistir a filmes de média qualidade (de vez em quando lá aparecia uma estreia mesmo boa com direito a pipocas e tudo) com o Pai aos Domingos à tarde. Eis que, quase a acompanhar o meu crescimento em centímetros, foram aparecendo outros programas afins na nossa querida televisão Portuguesa, nomes como Morangos com Açúcar  e Big Brother devem ser mais do que familiares para vocês, caso sejam almas com pelo menos 20 anos. 

Até aí tudo bem, um bocadinho de escândalos, um bocadinho de estupidez, um bocadinho de fama gratuita para a malta que por lá andava e pronto. Os programas acabam e tudo fica bem outra vez. O problema foi acharem que a nossa televisão Portuguesa seria uma boa réplica de programas como o antigo TLC ou E! (que eu consumo à parva para vos ser sincera), e então toca lá de fazer versões ainda mais parvas dos programas dos outros Países.  Mais recentemente, ou mesmo ontem, começaram mais dois programas na SIC e na TVI, apresentaram mais um, e voltaram a lançar um episódio de outro. Confesso que só tive capacidade mental para ver os da TVI, mas acho que a SIC não se fica atrás.

O dia de Ontem deveria ter sido considerado como feriado nacional para celebrar a quantidade de estupidez apresentada nas televisões num dia só. Começamos com a apresentação de um programa na TVI, cujo nome nem me lembro tal era o meu espanto negativo, em que as pessoas abdicavam de tudo durante 10 dias. Ou seja, nem comida, nem mobílias, nem roupa, nem coisa que o valha. 10 dias assim nesta figura, e então vemos criaturas Portuguesas a correr rua fora completamente nuzinhas como vieram ao Mundo, a vasculhar roupa no lixo,  a tentar não estar tão viciadas aos bens materiais. Isto até seria algo produtivo se os candidatos fossem realmente pessoas a quem o apego aos bens materiais estivesse a afectar a vida pessoal. Não me pareceu que fosse o caso, por isso confesso que não tem piada. 

Em seguida a este pequeno tesourinho, que em horário normal, mostra corpos desnudados para qualquer criança de 5 anos ver, eis que começa outra jóia da TVI, de seu nome Quem quer casar com o meu filho?. E aqui não sei o que me choca mais, se a nossa vontade de ficar a olhar para a televisão para ver o que raio vai sair dali, com todas aquelas criaturas do sexo feminino a saírem por detrás das portas para se apresentarem às pessoas à sua frente, como se fossem mercadorias a serem pavoneadas ao comprador (tanto respeito pelo dia da Mulher não haja duvida), ou se as mães que aparecem no programa a educar criaturas masculinas de 20 anos para que a única coisa que saibam nesta vida seja pentear o cabelo. Sim, até porque um dos critérios das mães deste programa era que a candidata soubesse as lidas domesticas e cozinhar para o seu filho, porque a criança de 20 anos não pode mexer os dedos porque estraga o cabelo, ora pois. E já agora, terei também sido a única a achar que neste programa só entraram criaturas masculinas que parecem tudo menos ter problemas de saias? Ou que na realidade, com todas as apresentações ao programa nestes últimos meses, estaria eu à espera de homens com 40 anos que ainda vivessem na casa da Mãe, e não meninos de 20 que tal como se viu estão apenas mal educados. 

Por esta altura, na SIC, está a dar um novo programa também, de nome Quem quer casar com o agricultor?, que não vi, nem consegui perceber o conceito, mas parece-me algo semelhante ao da TVI, com a diferença da idade dos concorrentes, sendo eles um pouco mais velhos e afirmarem que tiveram pouca sorte ao amor e realmente não terem o aspecto de quem apenas faz duas viagens por dia: do bar para o ginásio e do ginásio para o bar. 

E é esta a “cultura” que podem encontrar nas nossas televisões neste momento. A tudo isto vamos juntar os Sábados e Domingos de filmes minimamente bons que foram substituídos por festas nas terrinhas com toda a má musica deste Portugal. Depois do LOVE ON TOP (o maior orgulho da TVI sem dúvida)  nada me surpreende mais. Com tanta Jóia destas nas nossas televisões de coração Português, a juventude de hoje já não me espanta.

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