Life

O shopping de rua.

17 Agosto, 2015

Não sou adepta de shoppings. Nuca fui e agora muito menos ei-de ser. Sou sim adepta de lojas. De todas as lojas. Lojas de roupa, de sapatos, de malas, de animais, de sofás, de tachos e panelas, seja lá do que for na realidade. Gosto de ver lojas, ponto. Mas lá por gostar de lojas, nada implica que o meu maior desejo seja passar o dia dentro de um espaço fechado onde apenas se vê pessoas a cirandar de um lado para o outro sem rumo ou destino, apenas por dizer que sim.

Tenho na verdade uma aversão aos shoppings, e penso que muito se deva ao facto de trabalhar num, e ter todas as desvantagens que o mesmo pode trazer para quem neles trabalham, assim com os horários noturnos, os fins-de-semana sem a família, as enchentes de pessoas em altura de saltos, a loucura dos natais e por aí fora. Mas no meio disto tudo, acho que o me consegue fazer ainda mais confusão é o facto de ser um espaço morto. E por espaço morto refiro-me à ausência do dia em si. Não saber se está a fazer sol ou se está a chover, se está de dia ou se está de noite, se está frio ou se está calor é para mim das coisas mais atrofiantes de um centro comercial referidamente fechado.

É mais do que lógico que no Inverno, ou naqueles dias mesmo maus, podemos encontrar a vantagem do abrigo nada confortável de um centro comercial, mas tirando isso, e sabendo que naqueles dias de sol (faça frio ou calor) temos de nos enfiar daquele espaço até me faz doer ao coração.

Talvez por isso ache muita piada ao conceito dos shoppings de rua, nomeadamente o Freeport, o Campera e o Forum Algarve (por enquanto só conheço estes três) que conseguem ser das melhores opções para fazer compras em dias de sol.

Já imaginaram o bom que era, comprar maquilhagem com uma luz natural em que o batom vermelho acabe por ser realmente o vermelho que queriam e não o bordô disfarçado pela típicas luzes amarelas das lojas? E não ter de gramar com os ares condicionados em épocas intermédias das estações? Ai como eu ainda sonho que um dia em que alguém se lembre e que saia uma lei para a rua em como os centros comercias deveriam ser todos assim, de rua.

Suponho que, para quem sabe o que é trabalhar neste tipo de espaço comercial, este meu desespero e as minhas palavras hoje aqui escritas façam muito mais sentido do que para quem apenas visita este espaço em modo de passeio ou diversão.

É tudo uma questão de perspetiva, penso eu.

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