Life

O ninguém que me tornei.

4 Maio, 2020

Nunca me apercebi que um dia iria estar a escrever este texto, ou que o conteúdo do mesmo fosse sobre mim e a minha vida em geral. E não é bonito o que aí vem.

Nunca me considerei má pessoa, nunca pensei que as minhas escolhas momentâneas fossem ter grande impacto na minha vida atual ou futura. Tal como muito boa gente, dei mais importância ás redes sociais do que elas realmente merecem.

Na escola, eu nunca fui propriamente aquela para quem as pessoas olhavam, os rapares porque gostavam, as raparigas porque queriam ser eu ou vestir aquilo que eu tinha. A minha mãe comprava-me á volta de dois bons pares de ténis por ano (se não falha a memória, mas também já não vos garanto), não porque não pudesse ou porque não quisesse, mas simplesmente porque eu não precisava de mais. Eu nunca fui a pessoa que usava grandes roupas de marca ou aquela que tinha o Nokia 5310 ou coisa que o valha, eu tinha outras coisas e na realidade, e bem vendo nunca me faltou coisa nenhuma. Andava vestida, andava alimentada, tinha um telefone, tinha a minha mochila, não precisava de mais. Entretanto fui crescendo, ganhando o meu dinheiro e com ele passei a comprar as minhas coisas, as coisas que eu queria para ser um bocadinho mais idêntica a tudo o que já existia. Não creio que isso me tenha trazido qualquer tipo de felicidade. Eu não era a rapariga popular, mas tinha amigos e pessoas do meu lado.

Quando o trabalho passou a ser mais estável, e já com mais idade, fui-me dando conta que agora com um ordenado só meu, podia comprar tudo aquilo que eu queria, ou aquilo que o ordenado deixava. Agora já me integrava um bocadinho mais por ter coisas giras e bonitas para mostrar aos outros, sem nunca me dar conta do impacto futuro disto tudo. A meu ver não tinha mal nenhum. Não era bem assim.

Nunca tive um curso universitário, nunca andei na faculdade, trabalhava como conselheira de beleza (coisa que até gostava), e fui colocando na minha cabecinha loira, que a única coisa em que eu era mesmo boa, a única coisa que fazia mesmo bem, era vestir-me bem e ter bom gosto, daí começa a coleção de coisas bonitas para mostrar aos outros. De outra maneira não tinha nada de muito interessante para trazer ao Mundo, nem era motivo de orgulho para ninguém. Daí, e uma vez que não ganho Mundos e fundos, eis que começo as substituir momentos com pessoas de quem gosto e experiências novas por coisas. Não tenho orgulho nisto, e se o partilho hoje aqui é exatamente por isso. Para me ajudar a mim e quem sabe ajudar mais alguém que meta estas ideias na cabeça. O meu Pai disse-me imensas vezes a seguinte frase: “para que queres tu tantos sapatos se só tens dois pés?”.  Desculpa Pai, até nisso te falhei ao não dar ouvidos. Na minha cabeça, ter estas coisas e tirar estas fotos, fazia de mim alguém. Sabem que mais:  Hoje em dia não sou ninguém. Podia ter sido um ninguém mais feliz, podia ter sido um ninguém mais vivido, mais viajado, podia ser um ninguém que por esta altura já tinha casa própria, mas não, sou um ninguém de 28 anos com nada mais para apresentar do que um monte de tecidos pendurados e poucas memórias vividas.

Sou mulher, gosto de me vestir bem, é normal. Podia era ter dado conta de que o Mundo não gira á volta de coisas novas e coisas caras e por aí fora. Isso não nos faz melhor do que ninguém. Repetir uma peça de roupa não nos rouba o caracter e não faz de nós inferiores a ninguém. Gostava de ter tido isso em conta no que toca á minha própria vida. Deixei que isso fosse mais importante do que tudo resto. Sim, tudo o resto. E de repente, quando se bate com a cabeça na parede a maior questão que se faz é “o que raio fizeste tu com a tua vida?”.

Neste momento podia ser mãe, coisa de que tenho muito medo por achar que na realidade não seria muito boa nisso, mas as prioridades foram sendo trocadas ao longo do caminho. Neste momento podia ser tudo diferente, podia ser mãe da minha Matilde, podia encher de amor a minha própria casa, podia viver com sorrisos que não fossem o espelho de um raio de uma etiqueta nova no armário.

Podia, mas hoje sou um ninguém que perdeu mais do que queria, por prioridades trocadas e escolhas que não lembram a ninguém. Sou um ninguém que se esqueceu que tinha muito mais para mostrar do que uma roupa nova ou uns sapatos caros.

  1. How to Forgive Yourself Right Now
    1. Accept yourself and your flaws.
    Know that despite your flaws, you are okay as you are. Your flaws, rather than making you “less” of a person, are what make you who you are. What you think of as a defect actually makes you far more interesting to others.

    You are not perfect. You make mistakes.

    But you are also on a path of growth. Your mistakes and failures help you improve. As flawed as you may be, you must accept yourself, flaws and all, if you are to make progress in your life.

    2. Remember that you are not a bad person.
    You can do something wrong while still being a good person. A lot of guilt or shame can make you feel like there is something wrong with you.

    Realize, right now, that there is a very big difference between doing a bad thing and being a bad person. Even when you do something that you regret, you most likely had a valid reason for doing it at the time (even if that reason doesn’t make rational sense).

    You didn’t do something bad because you are a fundamentally bad person; there was an intent, or valid motivation, behind your action.

    3. Talk to someone.
    Sometimes you just need to get it off your chest. Talking to someone else about what is bothering you can have serious benefits.

    Another perspective. When you are upset at yourself, emotions can cloud your reasoning abilities. A friend will often point out a reason why you deserve to forgive yourself that you never would have seen.
    Social support. You always feel better when somebody else has your back. Knowing that other people are less critical of you than you are of yourself can be encouraging.
    Therapy. Professional help may be necessary or at least a good decision in some cases. If your self-hatred seems insurmountable, you might want to consider this.
    4. Talk to your internal voice.
    It can be useful to “personalize” your internal voice. Imagine that there is some other entity that is thinking your self-critical thoughts and have a conversation with them.

    It might sound silly, but you should give this entity a name, which will reinforce the idea that this voice is separate from you.

    During your “conversation” I want you to ask your internal, critical voice what its positive intention is. This voice is saying what it’s saying for a reason. It might be to protect you, to prevent you from making the same mistake again, or to help you improve in some way.

    When you realize that your thoughts of guilt or shame are intended for your benefit, it becomes easier to forgive yourself. You can find another way to satisfy that positive intent while reducing your guilty feelings.

    In my case, one of the positive intentions of my internal voice constantly shaming me was to help me remember Josh after he passed. Since forgiving myself, I have dedicated each of my yoga sessions to Josh, which ensures that he will not be forgotten.

    5. Do the best friend test.
    Imagine your best friend had done exactly what you did and then came to you for advice. What would you tell them?

    You would reassure them and tell them not to be so hard on themselves. You would tell them that everyone makes mistakes. You would tell them that they deserve to be forgiven.

    Why can’t you say this to yourself?

    (Erin Pavlina has written a fantastic example of using this technique that I highly recommend checking out!)

    Forgiving yourself is far more challenging than forgiving someone else because you must live with yourself and your thoughts 24/7. Despite the challenge, emotionally healthy people must have the capacity to forgive themselves when they have made a mistake.

    When you forgive yourself, you are not pretending as though it never happened. On the contrary, you are acknowledging that your actions have consequences. But the consequences need not include self-inflicted negative feelings.

    Not forgiving yourself is like picking at an open wound; you are only making a bad situation worse. The wound is already there, but you do have control over your reaction to it, and you can stop it from getting worse.

    If you forgive yourself when you make a mistake, it’s easier to address the consequences of your action in a productive way.

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