Life

O Monstro voltou .

15 Junho, 2016

Começar as palavras deste texto não foi das coisas mais fáceis que possa ter feitos nos últimos tempos, enquanto escrevia duas frases, mais depressa apagava três, como se tudo o que aqui colocasse não fizesse o menor dos sentidos e não passassem de palavras soltas escritas num teclado. Mas mais uma vez penso que devemos falar deste assunto, um assunto que não me é indiferente e penso que não o será indiferente a muitas outras pessoas. Já o discutimos aqui e tal como de todas as outras vezes, não é fácil voltar a falar, até porque no fundo esperamos sempre que sejam apenas partidas que a nossa mente nos prega e que deixe essas mesmas partidas bem sossegadinhas num canto da nossa cabeça. Falo de ansiedade, essa dita doença que muitos assumem como um sintoma fútil que apenas tem quem precisa ou quer chamar a atenção. É normalmente associado como a doenças dos que não têm mais do que fazer, até porque, nas palavras de muito boa gente, se tivéssemos mais do que fazer não conseguíamos perder tempo com estas coisas. Mas a verdade não poderia ser mais diferente do que a que corre na boca do povo. A ansiedade, embora possa ser controlada, não têm cura e sim, é basicamente a níveis psicológicos, mas também se manifesta a níveis físicos. Para alguém que sofra de ansiedade, certos dias podem ser uma constante guerra consigo mesmos, em que uma simples acção normal como almoçar ou sair à rua se torna na tarefa mais complicada que alguma vez fizemos. Ontem, foi a minha vez de cair após 6 meses inteiros de lutas com sucesso contra mim mesma, em que a única vontade que tinha era fechar-me sobre mim mesma e esquecer todo o Mundo lá fora, deixar tudo. O choro que nos cai pelo rosto não são apenas lágrimas de quem faz uma birra, mas sim lágrimas de quem não aguenta as situações que decorrem, e muitas vezes essas situações não nos são visíveis ou perspectiveis, mas o nosso subconsciente sabe que elas lá estão e acaba por lhe dar mais importância do que que o nosso coração e a nossa mente realmente querem e por isso chegamos a este dias, em que caímos e não temos vontade nenhumas de nos voltar a levantar. Durante estes 6 meses, o monstro da ansiedade esteve escondido de todos e até de mim, ontem saiu e eu não tive força para o voltar a esconder. Hoje só espero que ele se esconda por mais 6 longos meses e que se torne mais fácil de suportar.

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