Life

“Mãe, como é que tu consegues?!”

24 Maio, 2017

“Mãe, como é que tu consegues?!”. Esta é a pergunta que faço mentalmente, a mim mesma, cada vez que mais um dia chega ao fim, destas ultimas duas semanas.

Tenho estado a preencher “falhas” de pessoal na loja de rua, pensando eu que estaria a deixar de lado o horário cansativo que é já é comum na  rotatividade de um centro comercial. A ideia começou muito bem, pensei que tendo os horários agora certos, entrando ao serviço às 9 e meia da manha e saindo às 7, com hora e meia de almoço, conseguiria uma vida um pouco mais calma e com mais tempo para mim e para os meus. Teria os Domingos sempre de folga, o que me permitia ver o mais-que-tudo mais vezes do que o normal, e poderia marcar qualquer jantar com amigos, pois a loja está fechada a partir das 7. Um sonho não é? Isso foi o que eu pensei. Mas sem perceber muito bem como, com apenas uma diferença de 15 minutos na hora de entrar e outros 15 minutos na hora de saída (entre a loja de rua e a do centro comercial), a verdade, é que nunca (ou raramente) consigo chegar a casa antes das 8 da noite, e por norma de rastos. Já de manhã, a coisa também funciona um pouco a correr, mesmo saltando da cama ainda mais cedo do que o normal.

Estou a escrever este post com a cabeça a cair-me para cima do computador, depois de já ter ajudado aqui por casa com arrumações, limpezas da cozinha, e de ter feito uma manicure e pedicure completa (porque estavam ambos assim a puxar para o aspecto preguiçoso de quem não se preocupa), e eis que reparo que já é meia-noite. O dia já terminou e pouco mais posso fazer senão ir dormir e descansar a minha cabeça na almofada e o meu corpo num colchão que já reclama por todas as molas (mais um sinal de preguiça). O tempo parece cada vez menos e mesmo assim, faço um esforço para vir aqui escrever umas quantas palavras, para vos assegurar que ainda estou viva. Tal é o cansaço e a falta de tempo, que existem fotos no meu smartphone há coisa de 2 semanas, que acompanhavam os temas de uns posts assim mais interessantes que este, mas o tempo não me facilita e para ser bem feito, requer tempo e energia, que é outra coisa que me começa a faltar. A minha cabeça sempre se queixou em relação a este trabalho e às pessoas alucinadas que por vezes aparecem por lá e há falta de descanso que sinto, mas o meu corpo, esse sim, está a dar o berro. Passando 8 horas de pé, em que o único caminho que percorro é um simples corredor em U, para trás e para a frente consoante os pedidos do cliente. Tudo está inchado e dorido, e apesar de preferir mil vezes trabalhar numa loja de rua do que numa de centro comercial, mal posso esperar por voltar à minha rotina de não rotina. Eu acabei mesmo de dizer isto???!!!

No meio disto tudo, ainda vejo a minha mãe chegar a casa depois de quase furar os dedos todos com as agulhas das maquinas de cozer durante todo o dia no trabalho, ainda fazer o jantar, dar um pequeno jeitinho à casa e ainda ter paciência para participar nas aulas de zumba aqui da terra. Não sei se é da idade, mas sinceramente mãe, como raio é que tu aguentas?!

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