Life

Love Stories

6 Abril, 2020

Cresci ao som das histórias de princesas, a sonhar com as aventuras e a visualizar as tão aclamadas histórias de amor. Todas aquelas que acabam sempre bem, acompanhadas de sorrisos e bandas sonoras que nos fazem lágrimas nos olhos. Naquela que é a idade da inocência, aguardamos o príncipe encantado a chegar para nos salvar num cavalo branco. Eu pelo menos que sempre fui muito menina de cor-de-rosas até chegar à adolescência, sei que pensei muito nisso. Que quando tivesse um namorado só meu, queria que fosse tudo assim. Tudo muito feliz, muito romântico, com memórias que fossem guardadas para sempre nas fotografias e na mente. Quantas de nós não fomos assim? As histórias de amor, os encontros inesperados das nossas almas gémeas, aquele olhar que resulta de amor ao primeiro impacto, o completar as frases um do outro e estar sempre em sintonia. São os filmes que vemos, e mesmo hoje em dia, são poucos os filmes que não têm uma história de amor ali perdida pelo meio.

O que é que isso faz pela nossa expectativa em relação ao amor? Á nossa própria história de amor? Quer seja ela já vivida ou ainda esteja por acontecer. Pergunto-me se toda esta influencia de “apenas felicidade” nas histórias de amor que vemos todos os dias, não acaba por nos dar expectativas irrealistas sobre o que vamos mesmo acabar por encontrar. Ou então talvez não nos mostre o trabalho que dá na realidade manter a relação em algo feliz, assumindo nas nossas mentes, que vai sempre correr tudo bem porque encontrámos finalmente a nossa alma gémea, aquele que queremos connosco para a eternidade. Este não me parece um Mundo de histórias de amor inesperadas ao estilo de Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater, em que mesmo no fim, fica tudo bem sem ficar tudo bem. Nos dias de correm não me parece que fica tudo bem nos finais da felicidade.

Talvez por estar a chover lá fora e eu estar aqui sozinha, acreditar em finais felizes dos que vemos em todas as histórias de princesas da Disney, não me parece bem. Porque no fim, estamos sempre sozinhos. Sozinhos a lutar seja lá para o que for, cada um com o seu propósito e com a sua garra, mas sozinhos. As histórias de amor não têm finais felizes e tal como já dizia a “Mrs. Smith”, os finais felizes são para histórias que ainda não terminaram. Todas elas acabam, de uma maneira ou de outra. Uma morte, um afastamento, um não. As histórias felizes são perfeitas nos livros que lemos, nos filmes que vemos e assim devem continuar a ser. No fundo, bem lá no fundo, mesmo quando tudo já doí e magoa, vamos querer continuar a ler, a ver aquele amor que não acaba e que supera todas as barreiras que tem de superar. E que assim seja. Que todas as histórias de amor continuem a inspirar quem delas mais precisa, para sobreviver, para continuar, para lutar. E que nos façam felizes quando já nada o faz. Que na eventualidade nos dê coragem para ter uma história de amor connosco próprias, quando até isso se tornar difícil.

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