Life

Juro que não queria, mas a Internet obrigou-me.

23 Março, 2017

Jurei a mim mesma não vir para aqui falar deste assunto, ou seja, jurei a mim mesma não vir para aqui novamente reclamar por isto e por aquilo, como já é costume da minha pessoa. Estou de férias e a ultima coisa que me passa pela cabeça é andar a chatear a moleirinha com coisas deste género e por isso mesmo disse a mim mesma que ia ficar caladinha e sossegadinha. E até estava, mas depois liguei o computador e encaminhei o meu browser para o facebook, onde me aparece uma noticia com um vídeo de um médio que começou a tocar uma pequena guitarra para alegrar a sua paciente.

E pronto, com isto lá se foi o meu silêncio sobre mais uma situação caricata de hoje. Ora bem, fomos daqui para Lisboa, levar a avó a uma consulta de cardiologia apenas para ver se os valores estão bem, e devo confessor que a única pessoa que pude apelidar de simpática foi o segurança que muito atencioso nos sorriu, deu os bons dias e ainda nos perguntou se era necessário uma cadeira de rodas devido à dificuldade em movimentar-se da avó. O pai foi estacionar e eu fui andando com ela para o suposto local da consulta onde tivemos 30 minutos à espera quando de repente aparece uma senhora à porta de um consultório a gritar o nome da minha avó e a seguir ainda me pergunta se não a ouvi chamar com um ar de eu-sou-super-importante. Quando entramos, a criatura de bata branca, a.k.a: a médica, começa a falar de repente e quase sem responder às respostas da minha avó. Estava a irritar-me imensamente, mas ainda assim deixei-me estar sentadinha, com um sorriso falso no rosto a ouvir o que a senhora continuava a disparar com a boca. O meu sorriso amarelo fugiu no momento em que a minha avó tentou colocar uma questão e a criatura lhe diz: “diga lá de uma vez que eu estou com pressa!”. Oi? Está com pressa? Será erro meu ou estou no consultório de uma médica que deveria estar aqui para os pacientes? Se calhar enganei-me e entrei na sala da senhora da Cantina e por isso estava com pressa para ir servir os almoços. Vai na volta e foi isso. Vai na volta e a culpa de os almoços não terem sido serviços a tempo e horas foi nossa porque estávamos no consultório errado com a pessoa errada. E nesse caso pedimos imensa desculpa a quem não recebeu a pescada com batatas.

Mas falando mais a sério, que raio de médico é que diz uma coisa destas a um paciente? Estava chateada? Cansada? Tinha outras coisas para fazer? Maior parte das vezes eu também, e também tenho vontade de mandar 3 berros aos meus clientes, mas não o faço por profissionalismo e também porque seria despedida. Duvido que ensinem este tipo de comportamento na escola de medicina, mas quem sou eu para saber isso, não é verdade? Irrritou-me e irritou-me mesmo, mas ainda mantive-me sossegada na minha cadeira, mas agora sem o meu sorriso amarelo (que tenho vindo a aperfeiçoar ao longo dos tempos) e sem um pingo de simpatia na minha voz. E sem mais nem menos, uma pequena criatura de bata branca acabou por me estragar o dia, e por me dar mais uma razão para criticar o sistema de tudo o que é feito por aqui.

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