Life

Inferno na Terra

16 Outubro, 2017

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“Somos um Estado falhado porque não somos capazes de defender a vida dos cidadãos.”

Ontem, Domingo, 15 de Outubro de 2017, Portugal viu aquilo a que muitos chamariam de definição de Inferno na Terra. Mais de 500 fogos activos num só dia em que o calor já de si era insuportável e onde as condições atmosféricas pareciam não querer colaborar juntando um pouco de vento a esta mistura já explosiva de chamas e falta de água.  Mais de metade dos distritos de Portugal estavam a ser consumidos pelas chamas e o pânico era a única coisa que restava a muito boa gente que ainda aguardava pela ajuda de algum bombeiro para salvar o que podiam.

Ontem, vi vídeos de pessoas a pedir ajuda quando esta parecia não chegar, ou não chegava de todo, vi relatos de sobrevivências e agradecimentos àqueles que puderam ou tentaram fazer o mínimo que fosse.

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A ajuda não chegou a todo o lado, e por isso vi bombeiros a pedir desculpa. Desculpa por não estar, por não conseguir, por não chegar. Pedem-nos desculpa estas almas que arriscam e dão tudo o que têm para salvar tudo o que temos. Pedem-nos desculpa eles que estão no terreno a combater todo este pesadelo sem pausas para vestir fatos bonitos ou dar conferencias de empresa onde colocam as culpas noutro alguém. Pedem-nos desculpa por não conseguirem segurar uma mangueira porque os seus pulmões não aguentam mais, enquanto o nosso primeiro ministro bebe um copo de água na televisão porque ficou com a garganta seca após dizer meia dúzia de palavras que não serviram absolutamente para nada. Nem de ajuda, nem de consolo, nem de coisa nenhuma.

“Somos um Estado falhado porque não somos capazes de defender a vida dos cidadãos.”

Somos um País em luto. Pelos nossos e pelo que é nosso. Por todas as almas e por todos os materiais. Somos um País desiludido por este governo que não se consegue preocupar com o que realmente importa, justificando as falhas com reuniões atrás de reuniões. O certo, é que num dia como o de ontem, em que tudo aquilo que me dava razões para amar Portugal desapareceu por entre as chamas que alguém se lembrou de causar. Devido a toda a ganancia, o cheiro que sinto agora no ar, intoxica os pulmões de todos os habitantes e a visão é-nos distorcida por todo o fumo e cinza que vagueiam ao vento. O meu luto já era de coração e intenso. Agora é de revolta e vontade de fazer mais e melhor por este País que merece um descanso depois de toda esta luta pela sobrevivência. Diz-nos o senhor ministro que a situação ocorrida no principio do Verão em Pedrogão foi um caso especial e único devido à intensidade e às vitimas mortais resultantes daí, mas num dia em que os nossos Bombeiros têm de se multiplicar para apagar mais de 500 fogos num único País, já não se considera um caso especial.

Podia ficar a noite toda a falar sobre o quanto este governo me tira do sério com tanta parvoeira que lhes sai da boca, mas não é isso que Portugal precisa neste momento. E enquanto digo isto, fico extremamente mais aliviada por ouvir a chuva a cair lá fora e apenas posso desejar que a mesma se faça sentir onde é necessária e que ajude a aliviar as costas dos nossos bombeiros que tão poucas mãos têm a medir.

O nosso Portugal é grande, e apesar de tudo temos a vantagem de nos conseguirmos unir em tempos de crise ou de necessidade, e eu sei que este Inferno vai acabar, porque nós merecemos e porque nós precisamos. Porque a ganância não tem de levar a melhor e porque já perdemos tanto.

Obrigado aos que lutam e aos que não desistem, obrigado aos que salvam e persistem para não deixar ninguém para trás. Obrigado. Muito obrigado.

 

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