Life

Identidade porque me tramas tu?

18 Fevereiro, 2020

Este blog já conta com 8 anos de escritas. Nem sempre diárias, nem sempre constantes, nem sempre correctas. Já teve mais mudanças de imagem do que o rosto da Alexandra Lencastre e já esteve meses no esquecimento da sua própria criadora. Apesar disso, foi o hobby a que me dediquei com mais amor e carinho e aquele que ainda hoje é vivo, à excepção claro das limpezas e arrumações mensais aos meus armários e as passeatas pelas lojas de moda, coisas que não têm prazo de validade.

Na altura em que o blog saiu à rua pela primeira vez, encaminhado pela minha fraca Internet lá de casa e meia dúzia de aulas de informática (5 anos de aulas para ser mais exacta), era apenas um espaço de desabafo, um refugio meu onde colocava fisicamente as palavras que me pairavam na mente, onde partilhava aquilo que me agradava no meu dia-a-dia e por aí fora. Era meu, com muito orgulho, apesar do fraco desempenho e fraco visual daquela altura, mas era privado. Não existiam fotos minhas, não existia o meu nome, não existia nada que pudesse ser associado a mim, sem ser as palavras lá estendidas.

Passado uns meses, acabei por incluir isso tudo. Nomes, fotografias, testemunhos com datas e locais… E com isto, deixou de ser tão aberto. Deixei de poder escrever aquilo que realmente queria, aquilo que sentia cá mesmo por dentro. Agora já não podia escrever o que raio me desse na cabeça sem ter consequências depois. Passámos a ser um blog de aquilo-que-toda-a-gente-diz, ou fala, aquilo a que eu agora chamo, bloggers de primeira volta, onde apenas podemos encontrar as tendências actuais só quando já chegaram às lojas à coisa de dois meses ou o testemunho de utilização de produtos quando juntamos dinheiro suficiente para isso. Nada de errado com isto atenção, sendo que todas nós começamos assim, porque nem todas nascemos abençoadas com uma conta bancária pré-destinada no eventual caso de crescermos a querer ser bloggers ou youtubers, tipo aquela coisa da conta bancária que os Pais nos fazem assim que nascemos que tem como destino os nossos estudos e formação.

O blog não era, primeiro que tudo para ser um copiador das tendências que via noutros, mas sim algo especial e diferente, onde podia desabafar sobre os problemas do coração, as ansiedades, as crises lá de casa ou quando algo me enervava. Quando o meu rosto e a minha assinatura começaram a estar ligados a ele, essa possibilidade foi a modos que a caminhar pela janela fora sem hipótese de retorno.

No ultimo ano, o blog, este meu Momentos de Menina, passou a ser diferente, mais meu do que já era, com uma alteração de imagem e um nome mais adequado a mim, mais reflector daquilo que eu sou, a Maria Indecisa desta vida, que passa o tempo a pensar o que raio é, onde quer chegar e onde vai parar, e todas as embaralhações aqui pelo meio. É mais meu, e passou a ser mais pessoal do que comercial, com um bocadinho mais de piada e muito sarcasmo à mistura. Comecei a publicar novamente aquilo que me dava na ideia porque há partida sou uma mulher adulta e não tenho de ter medo de ter uma opinião (acho eu).

Hoje, sai de casa com um tema na cabeça sobre o qual queria escrever, mas depois de reflectir sobre isso, e de dormir 45 minutos nos bancos do autocarro, acabei por mudar de ideias. E porquê? Porque é um assunto pessoal, daqueles que não se diz à melhor amiga (mentira, eu conto-lhe tudo), e onde o tema poderia magoar terceiros quando sujeito à exposição pública. E não pessoas, não estou grávida, nem me vou casar, não terminei o meu relacionamento, nem tenho nenhuma doença terminal, apenas soube de uma situação e pensei que poderia falar sobre ela. Poder até podia, se o blog não fosse meu, se não tivesse o meu nome e se não tivesse o meu rosto. E por isso volto a pensar porque raio tive eu a ideia de colocar tudo isto em modo público associado a mim? É que de vez em quando até umas certas pessoas tenho vontade de mandar para…, para…., para o buraco de onde saíram, digamos assim, de expor certas coisas que vão acontecendo e não posso, porque está tudo ligado a mim. E por mais sarcasmo e ironia que se use, vai haver sempre alguém que se chateia com o assunto, ou que leva a peito de tal maneira que vos quer por um processo em cima ou apenas partir-vos os dentes, ou dar-vos cabo do carro se forem pessoas incomodadas mas assim mais tímidas.

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