Beauty

I Feel Pretty – O filme

18 Julho, 2018

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O filme já saiu há algum tempo, mas ainda não tinha tido oportunidade de o ver, apesar de estar na minha lista obrigatória dos que não podem faltar na minha cultura. Confesso que há algo em filmes sobre a auto-estima de uma mulher que me chamam, e muito, a atenção, talvez por eu própria não ter a minha auto-estima “lá me cima” na maior parte dos dias. Ou porque não gosto do cabelo, ou porque a minha pele está branca e sem piada, ou porque não gosto de ver nada vestido no meu corpinho de trinca-espinhas por mais voltas que dê ao roupeiro.

Na realidade, os últimos tempos têm sido um desafio, quando se trata de sair da casa a gostar a 100% do que vejo no espelho. Mesmo dedicando algum tempo das minhas manhãs a tratar de mim, a escolher a roupa para o dia (mesmo que depois tenha de vestir a farda da loja, pela qual não morro de amores), a planear a maquilhagem e criar penteados cheios de elásticos e ganchos para manter tudo no sitio, há sempre qualquer coisa que não me agrada, e acreditem quando vos digo que as minhas manhãs sem esta rotina não são as minhas preferidas. Não tenho corpo de capas de revista, nem uma beleza natural de rosto que faça virar cabeças ou interromper conversas quando entro num bar, e nos dias de hoje, apesar de todas as campanhas a favor da naturalidade das mulheres (a mais recente que me lembro é da Activia em que menciona o quando devemos mostrar a nossa naturalidade), a mulher consegue ser um pouco criticada por isso. Ou porque tem uns quilinhos a mais, ou porque é magra de tal forma que parece que vai ser levada pelo vento, ou porque tem borbulhas, ou porque o cabelo está despenteado ou sei lá mais o quê.

Tantas são as criticas que as mulheres ouvem ao longo dos dias pelas mais estapafurdias razões, e mais grave ainda, é que muitas dessas criticas nem sempre construtivas, acabam por vir de outras mulheres. Não deveríamos ser uma união?

No filme, a actriz principal, que dá vida a Renné, uma mulher completamente ciente do seu corpo e da sua aparência, que não se enquadram na definição de perfeição, vai fazendo no seu dia-a-dia esforços para, ao que a mesma diz, se sentir bonita e se enquadrar no padrão de beleza criado pelas empresas, assistindo a tutoriais de maquilhagem e cabelos tentando recriar os mesmos,  e forçando-se a si própria a frequentar o ginásio, quase sem se olhar ao espelho. Até ao dia em que bate com a cabeça e de repente se vê como uma Mulher linda, em forma, com uma estrutura de rosto perfeita. Basicamente ela passa a ser a Mulher ideal e ganha coragem para enfrentar o Mundo que sempre a rebaixou. Depressa Renné, que para os outros continua a mesma pessoa a nível físico, consegue conquistar tudo aquilo que sonhou apenas pela sua confiança em si própria, isso e a simpatia da mesma, completada pela humildade que foi aprendendo ao longo dos anos. E ficamos por aqui, que caso não tenham visto o filme, não me começarem a dar na cabeça por vos estar a estragar isto tudo. Mas há aqui toda uma questão que eu gostava de explorar um pouco.

Não importa o quanto gordas ou magras somos, não importa a quantidade de rugas que já temos no rosto, não importa de vestimos um XS ou um XXL, ou um 37 ou um 41. Não importa se temos o rosto mais quadrado ou mais alongado, ou os olhos mais pequenos ou mais largos. Não importa se o nosso nariz é um pouco maior (o meu nariz sempre me fez alguma confusão) ou se é mais pequeno. Todas nós somos perfeitas ou conseguimos ser perfeitas, se olharmos ao espelho e conseguirmos aceitar o que somos, e mais fácil ainda se torna se o Mundo nos aceitar assim.

Sempre fui magra por natureza, sempre tive os joelhos muito salientes, um nariz grande com um altinho no meio, uma pele branca especialmente no rosto e um peito muito pequeno. Para algumas pessoas o facto de procurar os tamanhos XS nas prateleiras das lojas é um motivo de orgulho, mas na realidade sabem lá o quanto custa vestir esse dito tamanho e sentir que somos apenas uma tábua de passar a ferro, sem curvas, sem decote. Vestir um tamanho extra pequeno não significa que somos o corpo ideal, muito pelo contrário. Sabem lá vocês, a vontade que eu tenho de vestir um vestido com decote em V ou um top cai-cai sem a necessidade de um top ou um sutiã por baixo, para pelo menos ter ali algum volume. Não o faço porque não me sinto bem assim.

Fico feliz por conseguir manter a minha figura física, sem exercícios nem dietas, apesar de comer por 20 em certos dias. Fico feliz por apesar de estar farta de o ter curto, ter um cabelo bonito e com uma cor natural que faz inveja a muitas boas colorações. Fico feliz por ter umas unhas fortes que me aguentam o verniz por 3 semanas ou mais (caso eu não me cansasse das cores). Fico feliz por me conseguir maquilhar a mim e a outros, realçando a beleza de cada um, e ter qualidades para o fazer. Fico feliz por olhar para o meu armário e conseguir criar algo novo todos os dias.

Não sou perfeita, mas sou perfeita há minha maneira, e mudo o que não gosto consoante vou crescendo. Se não gosto do cabelo, trato de mudar de penteado, se não gosto das minhas olheiras, corrijo-as com um corrector/iluminador, se não gosto do meu corpo uso roupas que me deixem mais alegre em relação a ele (até porque hoje em dia, maior parte das marcas cria moda para todos os tamanhos e estilos de corpo, é só uma questão de pedir ajuda sem sentir-mos vergonha nisso. Ainda me lembro quando me ajudaram na Intimissi a escolher um sutiã sem alças e sem aros que me fazia um decote muito bonito, coisa que não existia), se não gosto do meu nariz escondo o que tenho a esconder com maquilhagem. E é isto. Há sempre coisas que podemos mudar, sem nos mudar a nós próprios.

Somos lindas, cada uma há sua maneira. E se precisarmos de alguma ajuda para nos sentirmos bem com o que temos, então que assim seja. Somos Mulheres, e devemos ajudar-nos umas às outras, não é verdade? Podemos ser todas mais confiantes de nós mesmas, podemos ser todas mais felizes.

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