Life

House Hunting

7 Maio, 2018

Procurar casa não é fácil. Ou melhor, procurar até sim, encontrar a certa é que nem por isso. E quando, depois da luta da pesquisa, das visitas, das escolhas, se encontra realmente a tal, aquela perfeita que queremos chamar de lar um dia destes, eis que se avizinha todo um processo complicado de documentos, bancos, créditos e sei lá mais quantas coisas afins.

Nos últimos dois anos, a minha vida foi passada a visitar sites de imobiliárias, a ver todo o tipo de habitações com as mais diversas características, tamanhos e feitios. Casas com paredes cada uma com a sua cor mais extravagante, com os quintais mais desleixados ou com as típicas humidades por todo o lado. Com cozinhas pequenas e modernas ou grandes e já a precisar de uma renovação. Com preços simpáticos mas sem conquistar o olhar ou com preços fora do alcance, mas que os olhos não desviavam se tivessem hipótese.  E quando surgiram as oportunidades, e as habitações até pareciam estar dentro da minha lista enorme de parâmetros a cumprir, eis que começavam todos os blah blah dos bancos com as avaliações, as opções de créditos, os juros, a Euribor e sei lá mais quantos nomes que ouvi.

Ouve quem me perguntasse, o porquê de eu não optar pela saída mais fácil, o aluguer.  Simplesmente, porque se for para pagar 300 ou 400€ por mês por um espaço que seja do meu agrado e que tenha “espaço” suficiente para mim, para as minhas coisa, para o cão, para os carros, que apanhe sol todo o dia e que tenha pelo menos um quintal maneiro, prefiro pagar por algo que venha mesmo a ser meu e não para andar a saltitar todos os anos de casa em casa, de aluguer em aluguer. Nestas coisas, considero que sou um bocadinho como o Pai, gosto de ter o meu “sitio no mesmo sitio”, criar as memórias no mesmo espaço e quando for velhinha poder dizer que foi ali que X aconteceu, gosto de poder investir sem medos a pintar uma parede ou a arranjar uma cozinha nova e saber que é minha e não da pessoa que venha alugar a seguir. O que for é para a vida toda.

Apesar de não querer aluguer, tenho de admitir que comprar casa não fácil por várias razões, pelo menos para mim não o foi, nem o é, e acreditem quando vos digo que explorei mesmo todas as hipóteses, desde reuniões na Câmaras Municipal para explorar terrenos de família (que ainda são uns quantos), desde reuniões com arquitectos para ver opções, desde reuniões com os bancos para ver soluções… e por aí fora. São tantos os processos que por vezes a vontade de desistir é maior do que o esforço de querer ter. Mas arranjamos sempre maneira de voltar à luta e esperar que exista mesmo por aí uma solução perfeita para nós, ainda que tenham de ser feitas algumas remodelações.

Construir de raiz, é outro berbicacho minha gente. Se não tiverem nenhum terreno livre para construção, logicamente terão de comprar um, e só depois então é que podem encontrar um bom arquitecto para vos desenhar a casa como desejarem, e depois a Câmara tem de aprovar o projecto e depois o banco tem de aprovar o credito e depois a construtora demora quase um ano ou até mais a concluir o projecto e depois talvez aí tudo esteja perfeito. Ou então não. Porque no meio disto tudo ainda faltam as compras de decoração, recheio de interiores, loiças de casas de banho, escolhas de portas, de cozinha, da cor das paredes, dos candeeiros e de tantas outras coisas que são literalmente uma dor de cabeça durante todos esses meses. Lembro-me que todo este processo da construção e extras da casa dos Pais demorou quase 4 anos no total, e eu, que na altura era ainda uma pré-pré-adolescente mal podia esperar para me mudar.

Para quem está curioso, a luta aqui por estas bandas ainda continua, e mal posso esperar por uma luz ao fundo do túnel para poder finalmente chamar de lar a 4 paredes minhas.

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