Life

G is for Going Back

17 Novembro, 2020

A minha língua mãe poderia muito bem ser o Inglês, com o famoso sotaque intenso e bem pronunciado a que nos acabamos por habituar assim que colocamos os pés fora do avião e entramos naquele que é o País do meus sonhos, chuvas á parte. Em Inglaterra, é onde me imagino, e para onde quero fugir.

Visitei as terras Britânicas apenas por 192 horas, sendo essas as mais felizes de que me consigo recordar de há 3 anos para cá. Foi também a minha estreia no que toca a viagens para fora do meu País, sem contar com os domínios Espanhóis fronteiriços com Portugal. Assim que entrei no avião que me levaria para o meu destino desconhecido, a sensação de lhe pertencer sem o conhecer foi logo intensificada pela simpática hospedeira de bordo que me cumprimentou em Inglês, assumindo na sua experiencia com pessoas, que estaria de visita a Portugal e a voltar a casa e não o contrário. Talvez pelo meu rosto esbranquiçado pela tristeza dos meses anteriores e pelos meus fios de cabelo naturalmente loiros culpa da genética maravilhosa do meu Pai.

As ruas, o comércio, a cultura acessível, fizeram tudo parte da experiencia que fiz um esforço para absorver, ainda que na minha mente me pareça tudo um pouco foggy. Visitei Manchester, Nothingham (cidade em que o meu irmão residia na altura) e claro, a tão famosa city of London num dia em que o sol tornou ainda mais mágico todo aquele descobrimento. Durante aqueles 8 dias andei como se não houvesse um amanhã, e como se fosse uma mistura de obrigação e prazer conhecer todos os recantos. Qualquer parte de Inglaterra que tive a oportunidade de conhecer me pareceu semelhante a uma Lisboa, mas muito mais calma e pacifica, sem a confusão habitual e o stress que se reconhece nas nossas ruas, e onde vingava o clássica com aromas de modernidade a esvoaçar pelo ar. Senti-me verdadeiramente feliz ali. No dia em que voltámos a casa, chorei lágrimas de saudade de algo que não era meu. Penso ter escrito tudo sobre a viagem num outro post, quando ainda não me focava tanto no significado de cada palavra que escrevo, e por isso mesmo, o historial do que foi feito está lá, mas não com a força do que senti na altura.

Está nos meus planos voltar. Está na minha gaveta do “gostava de fazer”, largar tudo e partir para aquele que é o País onde me sei que me vou sentir bem, mesmo com todas as ameaças do “vais sentir-te sozinha”, “vai ser difícil”, “não penses que é um mar de rosas”. Eu sei que todas essas ameaças, dizeres, frases cliché proferidas por cada emigrante são reais e têm o seu peso em qualquer decisão, mas por outro lado, existe toda a minha realidade presente, ou a falta dela, da dificuldade dos meus dias aqui. Não sou uma pessoa a quem possam apontar o dedo de maior infortúnios acontecidos nesta vida, estou consciente que tenho saúde física (psicológica já não tanto), um teto onde dormir e sobre o qual não pago despesas e comida na mesa todos os dias. É extremamente egoísta da minha parte reclamar seja do que for, quando tenho todo o essencial para viver, quando tantos outros não poderão dizer o mesmo. Mas na minha realidade, naquela realidade que existe dentro de mim, tudo está errado. A minha vivencia até agora está errada, como se estivesse sempre no sitio errado, há hora errada, não por influencia do destino, mas sim por decisões minhas. Decisões essas que levam a que todos os meus dias sejam um pesadelo que eu própria criei. E no meio de todo esse caus que enfrento contra mim mesma logo no primeiro segundo em que acordo, o primeiro lugar onde me imagino segura é precisamente aquele onde quero voltar. A Inglaterra, ao País que é meu sem realmente o ser. Onde os pesadelos acordados poderiam ter o mesmo peso que aqui, mas onde a força de me sentir novamente eu seria maior. Onde a página em branco poderia ser escrita com contos reais de responsabilidade, crescimento verdadeiro e significativo e evolução sem medos, sem o retorno das memórias de todos os erros e fracassos que me atormentam o coração.

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