Life

G is for confort zone.

18 Dezembro, 2020

Isto é péssimo.  Uma pessoa que vive inteiramente na zona de conforto, não vive. Ponto.  Anda constantemente rodeada do receio de tudo o que é novo,  de tudo o que não conhece.  Eu sou essa pessoa. Essa pessoa que até tem consciência disso e que escreve sobre isso as 1h30 da manhã.
Acontece no entanto que a zona de conforto é calma, não magoa,  não assusta e não causa pressão.  O que é, é, e assim continua a ser. É o conhecimento de conhecer o que já se conhece. Se se vai a algum lado? Provavelmente não,  mas também não se anda para trás.  Talvez se fique para trás,  isso sim, dando sentido ás próprias das palavras e usando a literalidade que as mesmas apresentam ao Mundo.
Sair da zona de conforto pode ser tão, ou mais, assustador do que a Pandemia chegada em Março a território Português. Certo é, mais ainda para muito boa alma. Mais depressa se assume o fator de usar uma máscara no rosto eternamente do que assumir uma vida amorosa não existente para o futuro. Ambas as partes têm a sua cota parte de perturbador para o vivente da zona de conforto. Ambas são novas. Ambas por descobrir sem ponte fixa para atravessar. Mas o grande truque para sair de fininho da zona de conforto, passa pela adaptação do grande ditado português: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Se me contassem que hoje em dia preferia Instastories a posts fixos ou que trocaria as sapatilhas com caveiras pelos saltos altos com glitter, eu diria que não me conheciam profundamente. A mim, aquele ser fantástico que adora ficar debaixo da pedra que é a zona de conforto em que vive. Mais reconfortada que eu, só mesmo a malta “horder” que já não consegue sair do sofá porque na realidade bloquearam o caminho com pilhas de jornais velhos que ninguém lê.  Se me perguntarem se é bom ou vale a pena, posso dedicar uma quantas palavras de verdade que afirmam que mal, mal não é, sabendo sempre com o que contar é apetecível,  mas não é assim que o Mundo foi feito. Que curiosas minhoquinhas rastejantes seriamos nós se não saíssemos da zona de conforto desde que aprendemos que se temos fome e não formos á procura de comida, a coisa corria mal. Eu, no meu caso, se tivesse nascido na idade da pedra, comparo as minhas ações com o ser comida por um predador qualquer porque me deixei ficar por ali ou a morrer de fome porque me deixei ficar ali. Estão a ver o cenário,  não estão?  Hoje em dia é igual, mas com uma vestimenta mais jeitosinha e um supermercado ao virar da esquina. Valha-nos a teoria do ” não mexe que assim está bom”. Não está,  mas vamos lá fingir que sim para não mexer muito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.