Outros

Eu? Ou não?

11 Novembro, 2019

Se vos disser que toda esta onda de mudanças repentinas na minha vida, não me fez mossa, estaria descaradamente a mentir-vos. No espaço de uma semana passei de conselheira de beleza a recepcionista de um escritório, de fazer 30 minutos de caminho para o trabalho por dia a fazer quase 2 horas na totalidade, passei de ter uma farda que não me fazia feliz a vestir a minha roupa normal. Mudei tanta coisa. Talvez por isso me esteja a ser difícil sentir-me eu mesma, a Vânia. Estou como quero e como gosto, não pensem que desta vez me estou a queixar (milagre, não é verdade?). Muito pelo contrário. Sinto que pertenço aqui e que já devia ter pensado em mudar tudo isto à muito mais tempo.

No entanto não consigo deixar de me sentir estranha, como se esta não fosse eu. É quase como se os dias fossem passando e eu estou do lado de fora a olhar para mim própria num espaço a que não estou habituada. Vejo-me a apanhar os autocarros diários, os metros, os elevadores, a passear nas lojas à hora de almoço e a trabalhar durante o meu dia, tudo como se eu própria estivesse a olhar para mim mesma, mas do lado de fora. Faz sentido? Ou nem por isso?

A minha rotina (apesar da não-rotina), acompanhou-me durante 8 anos seguidos, e apesar de já não ser muito feliz na altura, uma pessoa habituasse às coisas e às pessoas. Talvez por isso me sinta tão estranha com o meu dia-a-dia “novo”. Dias abstractos em que ainda nada é cem por cento definido, onde a fase de adaptação consegue ser visível a olho nu.

Sinto a falta de certas coisas nestes novos dias, penso que isso é normal, tal como as maquilhagens e as aulas de auto-maquilhagem que tanto me aborreciam e enervavam, e talvez sinta também falta de vender e aconselhar produtos de tratamento. O resto nem tanto. Suponho que nesta fase de mudança e adaptação a coisas novas que ainda não tinha vivido, isso seja normal, e talvez isso seja uma explicação para que eu me sinta como se não fosse eu, apesar de neste momento viver como queria a fazer o que queria. Apesar de todo este sentimento estranho dentro da minha cabeça, a ansiedade tem estado sobre controlo (batam na madeira se fazem favor), com os meus chás de camomila todas as manhãs assim que chego ao escritório e os meus exercícios de respiração e a calma que tento impor a mim própria cada vez mais.

Ainda assim, sou eu mesmo eu que aqui estou, ou isto não passa da minha imaginação? Estou realmente aqui sentada em frente a este computador, ou vou acordar de uma sesta mesmo, mesmo longa e reparar que afinal a minha vida está toda na mesma?

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