Life

Era uma vez Portugal.

22 Agosto, 2017

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“Era uma vez Portugal…”

Se me pedissem nos dias de hoje, para falar aos mais novos histórias da minha infância que ocorreram em espaços abertos, ao ar livre e no meio de toda a vegetação Portuguesa, confesso que as lágrimas seriam visíveis no meu rosto e não teria uma imagem para associar ao conto. Começava por contar as minhas aventuras e desaventuras como se de um conto fantástico e quase impossível de acontecer se tratasse. Tendo em conta a situação actual do País, é bem provável.

No espaço de uma semana, ocorreram dois incêndios florestais perto da minha zona de habitação, e apesar de estar “longe”, a preocupação e o medo estavam presentes na minha mente e em todos os músculos de meu corpo, que pensa sempre o que pode começar a salvar. Este ultimo, que começou por voltas das nove horas da noite de Domingo, assustou-me pela quantidade de luz alaranjada que se via no céu e pela onde de labaredas que conseguia ver da minha varanda. Nessa noite não consegui pregar olho, e apesar de ter ficado tudo controlado, dá que pensar como é possível que o Português durma bem com a cabeça na almofada quando metade do nosso País está sobre este cenário catastrófico e destruidor?  É completamente assustador pensar que estou a perder as minhas histórias, as minha memórias para um fogo que alguém provocou para seu próprio proveito.

Portugal do meu coração, hoje choro contigo toda a dor que sentes por todo o mal que te está a ser feito. E porquê? Aqui é que a minha cabeça não consegue chegar. Que razão posso eu encontrar que justifique tanta destruição, tantas vidas perdidas e memórias espalhadas pelo vento quando transformadas em cinza, que não seja o egoísmo? O meu Portugal, que em tempos teve as melhores paisagens verdes, calmas e pacificas, hoje é uma completa nuvem de fumo que não deixa nada vivo para trás.

Todos os anos a história se repete e ainda assim temos acesso a fazer tão pouco para salvar o que é nosso. Ainda hoje de manhã, li algures que em vez de investirmos em submarinos que estão parados não sei bem onde, poderíamos investir em meios eficazes contra os incêndios (na filmagem estava referido um super camião todo o terreno para os bombeiros, equipado com mangueiras potentes e muita capacidade de armazenagem de água). Sim, até é um facto que o nosso governo tem feito escolhas um pouco parvas quando se trata de gastar o dinheiro que o pobre mete lá dentro, mas por mais equipamentos que houvessem (e sabe Deus o quando eles até faziam falta), não sei se isso significaria uma diminuição na propositada criação de incêndios por este nosso País, até porque tal como as chamas, o egoísmo tem tendência para continuar a aumentar.

Meu querido Portugal, que estás doente e a precisar de ajuda, espero sinceramente que daqui por uns tempos, não tenha de começar as minhas histórias sobre ti da seguinte forma: “Era uma vez Portugal…verde”.

 

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