Life

Dias de Saudade

26 Novembro, 2018

As saudades são diárias, constantes e relembram constantemente a dor e a falta. Fazem parte da rotina e já me habituei a viver com elas. Mas em certos dias, o que eu chamo os “dias da Saudade”, a coisa toma níveis um pouco mais agressivos e quando dou por mim estou sentada no carro, sozinha a chorar todas as lágrimas que guardo cá dentro e a chamar por ti. Há várias situações que desencadeiam estas emoções mais fortes e este fim-de-semana foi um belo caso desses em que quase todos os dias sentia um nó na garganta e a vontade de me desfazer em água e soluços era mais que muita. 

Uma das situações passou-se na sexta-feira de Black Friday, em que a pedido do mais-que-tudo apanhei o autocarro e fui ter com ele a Lisboa. Curiosamente o meu cérebro apenas se lembrava de como preferias ser tu a levar-me até à paragem do que deixar por lá o meu carro durante horas a fio numa rua escura nem qualquer tipo de supervisão, de como irias ralhar por voltar para casa carregada de sacos com coisas que provavelmente nem preciso e de como irias esperar em casa por mim, deitado no sofá, só para teres a certeza de que tinha chegado bem. Sempre foste o meu maior protector. 

No passado Sábado, montámos as decorações natalícias, com árvores, Pais Natal de todos os tamanhos e feitios e luzes interiores e exteriores, e no fundo aquilo que eu ia pensado quando metia mais uma bola no pinheiro ou uma estrela pendurada na lareira, era das tuas reclamações sobre as luzes natalícias, e como as mesmas te impediam de fechar as portadas de casa à noite, roubando-te assim a tua privacidade e relembrando o dinheiro que gastaste nelas. Confesso que me lembrei de tudo isto com alguma tristeza, mas no fundo com alguma risada no fundo da minha cabeça por te imaginar com aquela cara de zangada, mas que no fundo até gostavas de estar por ali connosco naquele quebra-cabeças de pendurar luzes numa parede. 

Ontem, Domingo, levantei-me de sofá, onde tal como tu adormeci à noite, e reparei que os nossos pequenos amigos de 4 patas ladravam muito para aquela hora, vesti o casaco da mãe que estava mais à mão e lá fui eu até fundo do terreno de lanterna na mão e cabelo completamente no ar tal era o vento que se fazia sentir. Tratava-se de um pequeno ouriço que tive de salvar das garras do Jack, o teu melhor amigo que deste o nome por causa da tua bebida preferida. Após tratar da situação e de salvar o pobre animal dos nossos pobres animais, fiquei parada ali à 1 da manhã, no meio do terreno, sobre a luz da lua e com o som do vento que não era pouco, a pensar que antigamente seria eu a ir chamar-te para veres o que passava e depois iria atrás de ti enquanto te via a salvar o dia mais uma vez.

Desta vez não estavas. De todas estas vezes não estavas, e eu fiquei com nada mais do que a saudade. A grande saudade. Aquele que não mata mas mói. Aquela que me faz esborratar a maquilhagem, como sabes que não gostava de fazer. Aquela que me faz ficar ali especada seja onde for a imaginar que vais passar por ali, que a qualquer momento vou receber uma chamada tua, que a qualquer momento vou poder chegar a casa e dar-te um abraço porque o dia correu mal. 

Todos os dias a saudade está presente, mas depois há estes dias, os dias da Saudade, e esses são os piores. 

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