Life

Bem cá do fundo.

11 Fevereiro, 2016

Dizem que antes da ansiedade atacar, devemos desabafar um pouco antes da bomba rebentar, e uma vez que quem me devia ouvir não ouve, passo a fazer o relato das minhas queixas aqui por este lado em modo semi-oculto.

Somos um País de calões e de refilões, de acordo com estudos e opiniões, que passamos a vida a reclamar de tudo o que fazemos e do que temos para fazer e que cada vez queremos fazer menos e menos. Mas por acaso já alguém pensou na versão contrária desta história que é contada por meio Mundo? E se na realidade as nossas reclamações se devam a factos com razão, e a nossa suposta preguiça se deva ao desanimo de nunca ver o apoio e reconhecimento do trabalho que é feito. Se cada vez mais somos “obrigados” a deixar a nossa vida pessoal para trás para fazer trabalhos que não fazem sentido e onde o factor “pessoa” não é respeitado, porque razão deveríamos nós estar animados? Porque razão não deveríamos reclamar?

Não podemos. É esse o problema. Nos dias de hoje, a procura de trabalho é tanta que a opinião de um trabalhador não conta, até porque se a pessoa está mal que se mude, existe sempre outra pronta a ocupar o lugar. Mas as contas ficam por pagar, e a família para alimentar e isso tudo não se paga com sorrisos e boa vontade.

E é deprimente. Escravos da nossa sociedade, onde muitas vezes somos tratados como lixo por parte dos clientes a quem temos de prestar o maior respeito como se fossem seres superiores tal e qual deuses. Mas são eles que fazem o valor entrar não é verdade? Por isso baixamos a cabeça e não temos outra hipótese senão deixar acontecer, enquanto quem assiste a estas situações nos olhas como se fossemos meros insectos a serem esborrachados e sentem nada mais do que pena de nós. A classe trabalhadora passou a ser a piada desta sociedade onde não existe respeito por nada nem ninguém. E ainda esperam um futuro melhor. Como é que é possível sequer pensar numa ideia dessas com tudo o que se vê a acontecer em todo o lado a todas as horas?

Somos um Portugal que refila, mas somos um Portugal que têm de deixar de viver para poder sobreviver.

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