Life

Após cada partida.

29 Janeiro, 2020

Cada vez que o meu irmão vem do estrangeiro passar uns dias connosco, o clima é de ansiedade até ele chegar e maioritariamente felicidade quando ele chega, com um bocadinho de tristeza à mistura, por serem poucos dias, ou por saber que ele vai acabar por voltar para aquele que é agora o seu lar, o seu novo País.

Quando ele está, faz-me ter aquela sensação gira de irmã mais velha que já sai à noite e leva o puto mais novo com ela para lhe mostrar as andanças e conhecer pessoas, ainda que na realidade, seja ele a mostrar-me novidade em Portugal (sim, mesmo a sério) e a desafiar-me a fazer coisas novas e diferentes. O problema é que quando ele vai de volta para a sua casa, para o seu trabalho, para a sua vida. Seria de supor que o que me incomoda mesmo é a saudade, mas a essa já me habituei e aceitei que faz parte quando realmente se gosta de alguém. Não, o problema não é esse. O problema é a guerra que crio comigo mesma cada vez que ele vem e depois volta. O problema sou eu que o crio, juntamente com a minha falta de confiança e medo de mudar o meu futuro.

Instala-se o drama e a minha cabeça começa a pensar do que devia sobre aquilo que não deve. A minha vida. O que fiz e que vou fazer. De onde venho e para onde vou. O meu passado e o meu futuro.

Cada vez que ele se vai embora novamente, eu penso que na realidade até gostaria mesmo de ir com ele, voltar ao País onde me senti em casa, mesmo estando lá só uma semana de férias à dois anos atrás (apesar de agora com esta história toda do Brexit nem sei porque penso muito nisso). Penso que gostava de ser como ele, não ter medo e dúvidas sobre tudo o que faço ou penso fazer. Avançar, criar uma vida para mim que realmente me deixe 100% feliz todos os dias.

Deixar de ter medos e desconfianças e atirar-me de cabeça a coisa novas, inovadoras, ser mais impulsiva sem ser só a comprar sapatos, ir à procura de inspiração, de cultura.

O raio do gaiato desperta-me estas coisas, e faz-me pensar que, apesar de mais novo que eu, ele é que é o irmão mais velho, a mostrar-me como a vida pode ser mais engraçada e sentida (apesar das dificuldades que ele também enfrenta estando num País estrangeiro onde nem tudo é um mar de rosas), a desejar ser como ele.

Depois de ele voltar a casa, esta sou eu. A duvidar novamente das minhas escolhas, a perder a inspiração que vou procurando agora por Lisboa e a achar novamente que não faço o suficiente. Por mim e pelos outros. Acaba por passar, esta sensação estranha de não estar no sitio certo (e não, não me refiro ao meu trabalho) nem na hora certa, mas o bichinho fica sempre na gaveta da mente que deixo de lado por ter receio de sair de tudo o que envolve a minha zona de conforto.

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