Life

Amigos do Metro

10 Outubro, 2019

Chamem-me maluca, mas não sou completamente anti-metro. Talvez por apenas fazer estas andanças há 4 dias e ainda não ter apanhado avarias, greves e dias de chuva, mas devo dizer que não desgosto. Preferia andar no meu carrinho todos os dias, como já fazia há 8 anos, tal como maior parte das pessoas, mas assim também não se faz mal e ainda se poupa gasóleo e manutenção da dita viatura.

Se estiveram comigo, ou perto da minha pessoa, nos últimos dias, devem ter notado que a minha tosse alérgica/irritativa/consequente de uma constipação mal curada, esteve de volta e que já ninguém a aguenta. Ou pelo menos eu. E quando as pessoas do meu novo dia a dia me oferecem rebuçados para a tosse porque se assustam com ela, é quando eu tenho vontade de arrancar pelo menos um pulmão fora e tranquilizar a vida dos que me rodeiam e já não me podem ouvir, mas são simplesmente muito simpáticos para mo dizer (há excepção do mais-que-tudo e da mãe).

Mas a minha tosse também me traz outras coisas, para além das noites mal durmidas, também me traz conversas com estranhos que se voluntariam para pelo menos me ceder um lugar onde o ar condicionado da carruagem do metro não seja tão intenso. Ontem, no caminho de volta para o autocarro, com o metro cheio de pessoas cansadas dos seus dias de trabalho, dei por mim tão espalmada que mais parecia atum dentro da lata, apoiada apenas por uma mão nos apoios do tecto existentes, quando me deu uma crise de tosse daquelas mesmo forte em que não consigo parar de tossir e parece que nem respiro em condições, deixando toda a carruagem a olhar para mim.

Portanto, de salto alto, com malas e sacos, apoiada por um braço e aflita com tosse, num autocarro cheio de pessoas. A vontade de fugir dali era muita, mas mais ainda era a de conseguir respirar. Já vermelha que nem um tomate, lá consegui estabilidade suficiente para (desajeitadamente) chegar à minha garrafa de água e pelo menos acalmar a minha garganta. Com este episódio, o senhor que estava atrás de mim (talvez já no seus 50/60), encostado à porta contrária à saída, delicadamente me pergunta se quero encostar-me ali em vez dele, pois ali não se sentia tanto o ar condicionado e talvez conseguisse acalmar. Disse-lhe que não era preciso com o ar mais simpático que consegui sem voltar a tossir novamente, mas continuamos a conversa sobre o motivo da minha tosse, passando pelas evoluções do metro de há uns tempos para cá e sobre o motivo que nos levou a estar naquela carruagem de metro no dia de ontem àquela hora, ficando eu assim a saber que aquele senhor que não andava de metro há anos , tinha acabado de deixar a mota na oficina. Fiz um amigo de Metro. É assim que eu lhes chamo. E gosto dos meus amigos de metro. Quebrar a rotina da rotina criando um ambiente positivo entre as pessoas, por apenas ter uma conversa de minutos sobre coisa nenhuma.

Ter amigos do metro faz-me gostar dele mais um bocadinho e acaba por melhorar o final dos meus dias, quando eles aparecem.

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