Life

A promessa de um “Volto Já”

21 Julho, 2017

Sentimentalista de extremos. É o que sou, sempre fui e só não assumo como parte do meu nome porque me torno um pouco preguiçosa para escrever aqueles que já tenho de momento. E como tal, qualquer coisa normal como um amigo ir passar seis meses a estudar num País estrangeiro é motivo de choradeira.

Depois de um dia extremo de trabalho, em que a parte extrema era mesmo não existirem clientes suficientes para darem trabalho às mãos livres e as mentes desocupadas das cinco criaturas que se encontravam naquela loja (sabem lá vocês o quanto se torna difícil não ter clientes para atender, por mim podia ser sempre como na altura do Natal), chego a casa e eis que passa por mim a minha querida prima do coração que após uma intensa pesquisa familiar passou a ser na realidade prima de sangue e da 3ª costela esquerda a contar de cima (sem nunca sair do coração claro), de carro com toda a sua família. Chegava a hora de lhe dizer um até já prolongado que tem a duração de  seis meses e que se estende por mais de nove horas de avião. A minha fofinha foi estudar para fora e eu não poderia estar mais orgulha e feliz por ela. Uma experiência que vale tanto e da qual ela vai poder tirar todo o proveito. Acredito que assim que ela chegar eu vá notar uma enorme diferença, a nível de cultura, a nível de sabedoria, aprendizagem e claro, do bronzeado. Vai ser tudo de bom, e ela bem o merece.

Mas como nem tudo é um mar de rosas, e como a minha felicidade também passa por me tornar numa criatura sentimentalista muito parecida com uma maria-madalena que não faz mais nada que é chorar. Ela passou por mim de carro e eu tive a oportunidade de lhe dar mais um abraço, apenas mais um, mas que me soube pela vida, antes da sua partida. Com a promessa de um “vou-vos contando tudo”, aquela que eu queria ouvir era a de um “volto já”. E sim, eu sei que ela volta para mim, para nós, para nos encher de mimos e de abraços, de nos presentear com todas as histórias maravilhosas daquilo que aprendeu e viveu. E depois de toda a minha choradeira (a de agora e a de quando ela voltar) eu vou sorrir, por ter de volta a minha “prima”, aquela minha voz no plano de fundo, aquele abraço que me faz mais falta do que respirar.

Sim, a minha versão sentimental, que vai chorar por tudo e mais alguma, está ligada durante os próximos dias e eu nem me importo muito com isso, porque no fundo a minha felicidade é maior do que a saudade, e saber que ela está bem, deixa-me bem a mim também. Se alguma vez alguém me perguntar se eu gostava de ter uma irmã mais nova em vez de um irmão mais novo, acho que diria que tenho a sorte de ter os dois. Apenas um de sangue, mas os dois de coração. Bastante parecidos se pensarmos nisso. Até nas promessas de “Volto Já”.

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