Life

A minha rua.

9 Março, 2020

Nem sempre vivi aqui. Mas sempre vivi perto. Esta rua, a minha rua, como eu lhe chamo, viu-me crescer, viu-me chorar, viu-me cair e levantar. A minha rua, é minha porque eu assim o dito, porque ela me pertence e eu lhe pertenço a ela. Somos companheiras de vida, e crescemos juntas. Era pequenina e dei os meus passos ali, andei de bicicleta e esfolei os joelhos, passeei os meus cães e corri desenfreada atrás deles quando fugiam.

Sou do tempo em que a minha rua ainda era chão de terra e as árvores ali nascidas, cresciam livres e ao sabor do vento enquanto não incomodavam ninguém. Sou do tempo em que a minha rua não tinha candeeiros e metia medo ás 19H30 da noite quando voltava da escola. Sou do tempo em que os carros não passavam muito por ali, porque sinceramente não tinham muito sitio para onde ir, pois não havia uma saída.

Lembro-me de não haver passeios e de saltar de um lado para o outro quando chovia para não sujar os sapatos. Lembro-me de ver o meu pai a tapar buracos com areia ou terra que iam aparecendo lá perto de casa para não estragar os carros. Lembro-me de cada nascer e de cada deitar do sol, naquela rua que os vê tão bem.

Brinquei muito naquela rua, com todo o tipo de brinquedos, com os meus animais e com a minha família. Aquela rua, recordo-me eu, sempre foi uma rua feliz, sem grandes preocupações.

Hoje, aquela rua, a minha rua, está diferente, está de cara lavada, com alcatrão cinzento no chão e luzes nos existentes passeios. Existem mais casas e mais saídas, e mais carros a passar também. Já não é uma rua tão feliz como antes, sabendo que já viu mais lágrimas do que sorrisos, mas ainda assim é a minha rua e eu não a troco enquanto conseguir.

Foi ali que vivi, foi ali que cresci e é dali que tenho as minhas memórias. As boas e as más. É dali que respiro o ar que as árvores me oferecem, é dali que roubo uma maçã ou duas no Verão e é dali que ponho os olhos no horizonte do Concelho até à Serra com todos os verdes, castanhos e vermelhos que as estações me vão dando. É dali que eu sou. O meu conforto, o meu lar. Esta rua, a minha rua, é a minha casa, o meu espaço e a minha liberdade.

A minha rua é minha, porque eu assim o quero. A minha rua é minha, porque eu cuido dela. A minha rua é minha porque eu vivo e sempre vivi nela. A minha rua é minha porque a minha rua me faz bem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.