Life

A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha. Só que não.

23 Fevereiro, 2017

A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha. Só que não. Português nascido em meados dos anos 90 ou anteriores, já ouviu, repetiu e sentiu o significado da frase acima. A geração de agora, mais preocupada em mostrar ao Mundo que realmente “a sua é a melhor do Mundo inteiro”, nem por isso, e tenho cá as minhas dúvidas de que realmente saibam o significado da mesma, até porque basta abrir um Instagram ou um Snapchat para concluir isso mesmo.

Eu, na minha mais pura inocência, costumava dar sentido a esta frase no que toca a relações, assumindo que as minhas nunca eram perfeitas, onde aliás existiam muitas, mas mesmo muitas falhas e as dos outros eram o conto de fadas que toda a gente queria ver nos cinemas, onde o amor, as surpresas, as viagens a dois e os momentos super românticos quase nunca sem discussões eram uma constante. Só que não. Essa coisa dos namoros, casamentos e até “affairs” perfeitos são coisa de tela de cinema, única e exclusivamente, sem tirar nem por. Hoje em dia já olho para aqueles casais que sempre admirei e para os quais costumava dizer “quando tiver uma relação quero que seja como a vossa” , e muito sinceramente penso “tomara vocês serem como nós”. Não existem coisas perfeitas por essas casas fora, e tão depressa as coisas correm bem como correm mal, e vos garanto que não vale a pena andar por essas redes sociais fora a mostrar a vossa relação tão perfeita com fotos e mensagens fofinhas um para o outro quando na realidade quase que se matam em casa. Mas fica giro assim. Eu confesso que prefiro mil vezes receber uma mensagem pessoal com um simples “Amo-te”, do que um texto super manhoso e a tresandar de mel por baixo da foto que publicaram para toda a gente ver.

Os casais de hoje em dia têm um grave problema ( e apesar de eu ter muitos, acho que este não é um deles), que passa por querer usar as redes sociais para reclamar o seu direito de posse sobre a outra pessoa. Eu cá chego à conclusão de que quando as meninas postam um foto com um roupa super fashion só porque sim, os seus  ditos “príncipes” correm para essa mesma foto, deixando um comentário com tantas palavras que mais parece uma cópia modificada da Bíblia, onde enumeram 146543 vezes o quando a adoram e quanto gostam de estar com ela. Não querendo ser cá de intrigas, mas não seria muito melhor ouvir isto ao vivo? Não se tornava mais romântico e carinhoso? Não se tornava mais especial? O mesmo se passa quando os meninos postam fotos deles próprios seja onde for, e basta a mesma ter uns quantos “likes” ou comentários de meninas que vocês não conhecem de lado nenhum e o texto volta a aparecer, mas em versão feminina, que por sua vez em vez de mencionar as 146543 vezes que o adoram e o quanto gostam de estar com ele, ainda menciona 146543 vezes o quando admiram os pormenores físicos da criatura, que supostamente não estão visíveis para toda a gente, para que mostrem bem que ele é só vosso e só vocês é que têm acesso. Como estas situações há muitas outras que me enervam nos casais de hoje, e apesar de o meu relacionamento com o mais-que-tudo não ser o mais perfeito, nem o mais romântico, nem de todo o mais funcional, deixa-me muito mais descansada por saber que há certas situações cliché das relações de hoje em dia, que nós abençoadamente não fazemos. Não tenho paciência para as flores (quem é que prefere receber um ramo de flores de 40€, que vão posteriormente morrer, quando poderiam receber uma escapadinha de fim-de-semana ou até quem sabe aquela mala ou aquele par de sapatos que tanto vos fazem suspirar), não tenho paciência para o amor extremamente exagerado no facebook  (a sério, dá-me vómitos tantos emojis com corações, palavras românticas e declarações na mesma frase), não tenho paciência para as falsidades (se o vosso casamento é bom mantenham-no para vocês, caso contrário não precisam de o expor ao mundo de 5 em 5 minutos numa tentativa de mostrar que está tudo bem). Resumindo, não tenho paciência para nada de nada no que toca a relacionamentos dos outros, o que me leva a pensar o porquê de alguma vez ter pensado que a minha relação deveria ser como esta ou aquela. A minha “galinha” é a perfeita para mim e não a queria de outra maneira, sem exageros, sem exposições publicas, sem mariquisses ao mais alto nível que causam enjoo até aos mais fortes de estômago. Sim, a minha “galinha” é a melhor, a da vizinha já nem tanto, parece que perdi o interesse.

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