Life

21 anos de Amor, 4 de preocupação e 1 de pânico.

5 Junho, 2017

Há 21 anos que a classificação de irmã mais velha me pertence. Há 21 anos que sou uma irmã mais velha extremamente orgulhosa deste ser que os meus Pais trouxeram ao Mundo. De certa maneira ele passou a ser grande parte do meu. Vi-o crescer, a tornar-se grande por dentro e por fora (ou não fossem tidos em consideração, o metro e noventa que quase lhe pertencem). Durante estes 21 anos, a preocupação era que ele fosse sempre uma criança/pessoa feliz. Há coisa de 4 anos, a preocupação passou para o facto de ele estar longe, bem longe (aquele longe equivalente a duas horas de avião seguidas de 2 horas de comboio) e neste ultimo ano, essa preocupação transformou-se em medo.

Pânico. Simples, puro e duro. Pânico tão intenso que nos faz chorar quando ninguém está a ver e nos causa um aperto no coração. Há coisa de 4 anos que ele partiu para Inglaterra em busca de uma vida e um futuro melhor, e há coisa de um ano, este Mundo, esta população nele existente, ficou em estado de alerta com a quantidade de atentados e ameaças de morte a nível geral. Eu também fiquei.

Há coisa de um ano, O Mundo perdeu a cabeça por completo e os atentados, ataques e mortes em massa encomendados ou ordenados por seitas, cultos ou pessoas sem qualquer tipo de consciência, são uma constante dos nossos dias. Tal como o meu pânico. Se durante 21 anos, as televisões serviam apenas para o meu entretenimento, hoje em dia, a rotina é confirmar se não houve mais atentados, crimes, ataques terroristas por aqui ou por ali, e quando os há, a minha emergência é saber onde foram e quando foram, para poder dar uma paz de 5 minutos ao meu coraçãozinho, dizendo a mim mesma que o meu irmão ainda está bem e longe de perigo.

Ainda no ultimo sábado, um enlouquecido qualquer começou a esfaquear pessoas nas ruas de Londres, causando mais uma crise de pânico a nível Mundial, e uma extrema ansiedade à minha pessoa. No ultimo mês, outro enlouquecido que se lembrou de tirar a sua própria vida, acabou por fazê-lo num concerto da Ariana Grande em Manchester, acabando assim por roubar também a vida a imensas pessoas inocentes e ferindo outras tantas. A minha extrema ansiedade falava mais alto.

O meu irmão estava a duas horas de distância de cada um destes eventos, mas assim que as noticias chegam aos nossos ouvidos, o pânico torna-se mais forte e inevitável e o medo toma conta de mim. Tal como a minha, existem inúmeras histórias que relatam este medo de perder algum dos nossos que está longe com toda esta maldade que podemos sentir mais frequentemente. Poderemos até dizer que esta seria a carta que continha as palavras de angustia que o familiar do emigrante escreveria para desabafar. Foi o que eu fiz. Não conseguimos propriamente resolver o problema como por magia com estas palavras escritas, sendo que a solução passava por trazer os nossos entes queridos para junto de nós (e mesmo assim não conseguimos garantir que estejam sempre a salvo), mas pelo menos alivia a mente que não pensa noutra coisa. Nem que seja por 5 minutos

Metade do Mundo enlouqueceu e a outra metade é que sofre as represálias disso.

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