É uma epidemia!

Quando eu era pequenina, ia um dia, muito bem descansadinha da vida, a passear pelo quintal da senhora Céu, que muito carinhosamente me ia buscar á escola e tomava conta de mim até a minha mãe chegar do trabalho, quando ao passar por umas árvores em flor, fui picada no braço por uma antipática abelha que não foi com a minha cara, e não fosse eu uma mariquinhas na altura (e quem diz na altura, diz hoje em dia) fiz um grande espectáculo em relação áquela pequena picada no braço, assim qualquer coisa como muitos choros e gritos. 

Não fiquei traumatizada com os bichos devo dizer, e até hoje não houve mais nenhuma que me olhasse com má cara e se tentasse vingar dos meus passeios, mas ainda assim não gosto muito de quando começo a ouvir os tipizos “Zzzzzzzzz” a esvoaçar perto da minha cabeça.
Até aqui tudo muito bem, não fosse o meu quintal estar rodeado e preenchido de macieiras e laranjeiras e sei lá mais o quê, que nesta altura estão completamente em flor, prontinhas a dar frutos e isto implica nada mais nada menos do que abelhas e abelhões a esvoaçar por todo o lado. Mal saio á porta da rua, é um zumbido ensurdecedor do raio dos bichos, quase nem se consegue ouvir os passarinhos de manhã. Podem até ser muito fofinhas, e ser muito prácticas por causa do pólen e todas essas coisas, mas não são própriamente os animais que gosto de ter no meu quintal juntamente com todos os bichinhos que por aqui andam a rondar. As aranhas, as cobras, as toupeiras, os sapos e de vez em quando umas cabeças de coelho (explica-se pelo facto de ter gatos á solta) ainda é razoável, mas dispensava mesmo bichos que não posso matar com uma pedra, ou com a vassoura. É uma epidemia de bichos esvoaçantes ás riscas pretas e amarelas. E eu cá não gosto muito disso. 



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