Cães a Pilhas

Sempre me lembro, nos bons tempos de infancia, de ter lá no meio dos baús dos brinquedos, aqueles cãezinhos a pilhas com o que me parecia um macacão de pelo vestido. Metade das vezes o dito macacão acabava por se descolar ou romper, e o coitado do animal mecânico ficava com um ar de robô zombie saido assim de um filme do Exterminador ou coisa que o valha. Para quem não se lembra estes cãezinhos de brincar passavam o tempo todo aos pulos e a ladrar e muitas das vezes (aqueles mais sofisticados) a dár á cauda. Lembro-me da minha mãe se fartar de me dae bonecos daqueles cada vez que iamos a uma feira, devido a todo o escarnaçal que o raio do brnquedo fazia em casa.
Hoje em dia, volto a ter um cão a pilhas, mas com a diferença de que é de carne e osso e não de plástico branco coberto por um macacão de pelo. Agora tenho o dito cão a pilhas com a variante de que não para quando as pilhas acabam, o pelo não se rasga ou estraga, apesar de lhe cair do lombo como se fosse neve na Serra da Estrela, e come como o belo animal que é. O meu pequeno Bucky deve ter engolido um pacote inteiro de pilhas Duracell quando era pequenito e os quimicos das mesmas, devem ter ficado entranhados na corrente sanguinia do patudo, porque para quem ainda não teve o prazer de o conhecer ao vivo, deixem que vos diga que ele simplesmente não para. Anda sempre aos pinotes, atrás das pessoas a querer dar beijinhos e a pedir goluseimas, ou seja lá o que for que estejamos a comer na cozinha. É um cãozinho mimado (culpa da mãe, admito) que passa o tempo todo a andar nas patas traseiras como se estivesse a representar um número de circo. Até dá gozo de ver. Mas naqueles dias em que o cansaço vence tudo, ou chegamos da praia completamente queimadinhos do sol e ele nos salta para cima das pernas como que a pedir mimos e a agradecer-nos por simplesmente termos chegado a casa para estar com ele, só desejava mesmo que pelo menos as pilhas fossem de má qualidade e a energia do bicho fosse só assim 3 vezes menor. Se alguém novo chega cá a casa, a coisa aí ainda fica pior, porque parece um gerador portátil em vez de um pacote de pilha. Chega mesmo a cair sobre ele próprio por ver pessoas que não conhece e que por sua vez, lhe podem vir dar mimos. E nem os passeios o cansam, coisa que a mim, me deixa de rastos. mas sendo sincera, no final de contas fico muito contente por ter este cãozinho a pilhas real que adoro e me deixa muito feliz com tanta animação e movimento. Mais vale um cão a pilhas na mão do que dois a voar, como me disse a avózinha. 🙂



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